Cristo Rei do Universo

A Igreja celebra hoje o dia da solenidade de Cristo, Rei do Universo, com a qual culmina o ano litúrgico.

 

Na reforma litúrgica mandada pelo Concilio Vaticano II, esta festa foi posta como coroação do ano litúrgico porque ela recapitula o mistério de Cristo que se contempla em todos os seus aspectos durante o ano.

Vamos aprender um pouco sobre essa festa relendo o evangelho com dois padres da Igreja:

  • Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja.

 

       «O meu Reino não vem deste mundo»

 

Escutai todos, judeus e gentios…; escutai, todos os reinos da terra! Eu não impeço o vosso domínio sobre este mundo, «o meu Reino não é deste mundo» (Jo 18,36).

Não temais, pois, com esse medo insensato que dominou Herodes quando lhe anunciaram o meu nascimento… Não, diz o Salvador, «O meu Reino não é deste mundo».

Vinde todos a um Reino que não é deste mundo; venham a ele pela fé; que o medo não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus diz, falando do Pai: «Por Ele, fui eleito rei sobre Sião, sobre a montanha sagrada» (Sl 2,6).

Mas essa Sião e essa montanha não são deste mundo.

O que é, com efeito, o seu Reino?

São os que acreditam nele, aqueles a quem diz: «Não sois do mundo, tal como eu não sou do mundo» (cf. Jo 17,16). E, contudo, Ele quer que estejam no mundo; pede a seu Pai: «Não te peço que os retires do mundo, mas que os guardes do mal» (Jo 17,15).

É que Ele não disse: «O meu Reino não está neste mundo», mas sim «não é deste mundo; se fosse deste mundo, os meus servos viriam combater para que eu não seja entregue».

Com efeito, o seu Reino é, na verdade, aqui, na terra até ao fim do mundo; até à colheita, o joio está misturado com o trigo (Mt 13,24s)…

O seu Reino não é deste mundo porque Ele é como um viajante neste mundo. Àqueles sobre quem reina, diz: «Não sois do mundo, pois vos escolhi do meio do mundo» (Jo 15,19). Eles eram, portanto, deste mundo, quando ainda não eram do seu Reino e pertenciam ao príncipe do mundo…

Todos os que são gerados da raça de Adão pecador pertencem a este mundo; todos aqueles que foram regenerados em Cristo pertencem ao seu Reino e já não são deste mundo. «Deus arrancou-nos efetivamente do poder das trevas e transportou-nos para o Reino de seu Filho muito amado» (Cl 1,13).

 

 

  • Santo Efrém (cerca 306-373), diácono na Síria, doutor da Igreja.

 

        “Elevado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32)

 

Hoje avança a cruz, a criação exulta; a cruz, caminho dos errantes, esperança dos cristãos,

prédica dos apóstolos, segurança do universo, fundamento da Igreja, fonte para os que têm sede…

Numa grande doçura, Jesus é conduzido à Paixão: é conduzido ao julgamento de Pilatos;

à hora sexta, escarnecem dele; até à hora nona, suporta a dor dos cravos, depois, a sua

morte põe fim à sua Paixão.

À hora décima, é deposto da cruz: dir-se-ia um leão que dorme…

Durante o julgamento, a Sabedoria calou-se e a Palavra nada disse.

Os seus inimigos desprezam-no e crucificam-no…

Aqueles a quem ontem tinha dado seu corpo em alimento, veem-no morrer de longe.

Pedro, o primeiro dos apóstolos, foi o primeiro.

André também fugiu, e João, que repousou a seu lado, não impediu um soldado de furar esse lado

com a lança.

Os Doze desapareceram; não disseram uma palavra a seu favor, eles, por quem ele dá sua vida.

Lázaro não está lá, ele, a quem Jesus chamara à vida.

O cego não chorou ante aquele que abrira seus olhos à luz, e o coxo, que graças a ele podia

caminhar, não correu para junto dele.

Só um malfeitor, crucificado ao seu lado, o confessa e o chama seu rei.

Ó ladrão, flor precoce da árvore da cruz, primeiro fruto do bosque do Gólgota…!

O Senhor reina; a criação está na alegria.

A cruz triunfa, e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7,9) veem adorá-lo…

A cruz ilumina o universo inteiro, afasta as trevas e reúne as nações… numa só Igreja, numa

só fé, num só batismo no amor.

Ela dirige-se ao centro do mundo, fixada no calvário.

 

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