Estudo Bíblico de 02 à 07 de abril de 2018

SEGUNDA-FEIRA

Mateus 28,8-15

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO (I): A EVANGELIZAÇÃO QUE NASCE DO ENCONTRO VIVO.

“Jesus saiu-lhes ao encontro”

 

Nesta semana, cada dia tem para nós o mesmo valor do Domingo de Páscoa. Leremos sete encontros com Jesus Ressuscitado.

 

Depois dos relatos de descobrimento do túmulo vazio (já vimos dois, na Vigília Pascal e outro ontem), os Evangelhos nos mostram uma série de belos quadros que recolhem, cada um ao seu modo, diversas experiências pascais. Encontramo-los em Mt 28, Mc 16, Lc 24 e Jo 20-21.

 

Tenhamos presente que os Evangelhos não têm a pretensão de descrever como foi à ressurreição de Jesus, mas como se dá a experiência do Ressuscitado.

 

De fato, havia diversas tradições sobre as aparições do Ressuscitado, que devem ter ocorrido tanto em Jerusalém como na Galileia, por um bom período de tempo. Lucas disse, por exemplo, que: “Após sua paixão, apresentou-se a eles dando-lhes muitas provas de que vivia, aparecendo-lhes durante 40 dias e falando-lhes acerca do Reino de Deus” (At 1,3).

 

As tradições correram antes oralmente e animaram a fé das comunidades para ajudá-las na vivência da presença do Ressuscitado. Logo as comunidades selecionaram aquelas que melhor se adequavam a suas necessidades e buscas. Assim, o capítulo 28 de Mateus é quase exclusivo de seu Evangelho.

 

O texto pode ser dividido em três pequenos blocos:

  • As mulheres ante o túmulo vazio, a mensagem do Anjo, o encontro com o Ressuscitado (28,1-10);
  • Uma cena paralela ao anúncio da notícia aos discípulos por parte das mulheres: os guardas do túmulo vão comunicar os fatos às autoridades (28,11-15); e
  • O encontro de Jesus com os apóstolos no lugar combinado e o envio à missão (28,16-20).

 

A liturgia hoje nos convida a deter-nos em Mateus 28,8-15.

 

  1. A Boa Nova do Ressuscitado parte do encontro com Jesus (28, 8-10).

 

Começa com o final do relato do túmulo vazio. Mateus faz três observações: apesar do “medo” (28,8ª), pois a situação, verdadeiramente, era complicada, elas se enchem de “grande gozo” (28,8b) e “correndo” se põem a caminho até os discípulos (28,8c). Porém a experiência não está completa.

 

Então Jesus vem a seu encontro. Ressalta-se a iniciativa de Jesus. Elas mostram reconhecimento com um ato de adoração (28,9b). Jesus, então, as confirma na missão dada pelo anjo: Quem se coloca a serviço da boa nova, como as mulheres, experimentam a presença do Ressuscitado no caminho.

 

O encontro com Ele é na Galileia (28,7.10), onde Jesus iniciou sua missão, terra paganizada na qual Jesus reúne de novo o povo para viver as bem-aventuranças (4,12-17 e 5,1-12). O lugar do encontro com o ressuscitado é na comunidade, assumindo sua mesma práxis evangélica do Reino e a justiça.

 

Este encontro havia sido anunciado durante a Paixão (ver 26,32). Agora, quando o Mestre Ressuscitou e tem “todo poder no céu e na terra” (28,18), os discípulos estão em condições de continuar a missão de Jesus, com tudo o que ela implica inclusive suas perseguições.

 

  1. Uma manipulação da história: o reverso do anúncio das mulheres (28,11-15)

 

Enquanto as mulheres cumprem sua missão, os guardas do sepulcro vão à cidade e comunicam aos chefes dos sacerdotes o que acontecera. Para eles é uma má notícia. Que fazer? O Sinédrio, então, se reúne de novo, já que Jesus segue sendo para eles um problema (28,11-12; 26,3.59; 27,1.7.62).

 

Plano “A”:

 

Para impedir a divulgação da notícia da ressurreição utilizam agora uma arma mais perigosa que a morte: o suborno, a corrupção do dinheiro (ver Evangelho da quarta-feira santa).

 

Quem já fez uma vez, não tem problema em voltar a fazer: negociaram a vida de Jesus (26,14-16), agora não tem nenhum escrúpulo em negociar sua boa notícia pregada pelas comunidades cristãs (28,12-13).

 

Mas, a boa notícia promulgada pelas mulheres é mais forte que o suborno. Buscam outra medida então:

 

Plano “B”:

 

Os sumos sacerdotes tranquilizaram os guardas no caso de ocorrer alguma reação por parte do procurador romano.

 

Eles já o haviam manipulado na hora da morte de Jesus (27,15-26), tampouco lhes custaria fazê-lo de novo no tempo da ressurreição (ver 28,14).

 

Ao final tudo ocorre segundo o planejado (28,15). A mentira também se impõe.

 

Aprofundando com os nossos pais na fé

 

São João Crisóstomo (cerca de 345-407), bispo e doutor da Igreja

Homilia sobre o Grande Sábado

 

“Jesus veio a seu encontro e disse: Eu vos saúdo; alegrai-vos” “Vinde ver o lugar onde repousava o Senhor” (Mt 28,6)… Vinde ver o lugar onde foi redigido a ata que garante a vossa ressurreição.

Vinde ver o lugar onde a morte foi sepultada. Vinde ver o lugar onde um corpo, grão não semeado pelo homem, produziu uma multidão de espigas para a imortalidade… “Ide anunciar aos meus irmãos que devem dirigir-se à Galileia: é lá que me verão. Anunciai aos meus discípulos os mistérios que haveis comtemplado”. Eis o que o Senhor disse às mulheres. E mesmo agora, na beira da piscina batismal, Ele permanece invisível junto dos crentes, Ele abraça os recém-batizados como amigos e irmãos… Enche os seus corações e as suas almas de júbilo e de alegria. Lava as suas manchas nas fontes da graça. Unge com o perfume do Espírito os que foram regenerados. O Senhor torna-se Aquele que os alimenta e torna-se o seu alimento. Fornece aos seus servos a sua porção de alimento espiritual. Diz a todos os fiéis: “Tomai, comei o pão do céu, recebei a fonte que jorra do meu lado, de onde tiramos sempre água sem que ela nunca seque. Vós que tendes fome, saciai-vos; vós que tendes sede, inebriai-vos com um vinho sóbrio e salutar”.

 

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Tenho sabido reconhecer a Jesus em meu caminho missionário?

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  • Que implicações tem a vivencia da Páscoa para minha vivencia comunitária?

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  • Deram-lhe uma boa soma de dinheiro”. À boa noticia que provém de uma experiência gratuita e motivadora do Senhor contrapõe-se outra noticia (falsa), motivada por uma inversão econômica. Como segue sucedendo isto hoje?

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A serviço de quem estão hoje os meios de comunicação?

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TERÇA-FEIRA

João 20,11-18

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO (II): DA AUSÊNCIA À COMUNHÃO PLENA NA ALIANÇA

Mulher, por que choras? A quem buscas?”

 

No Evangelho do domingo passado vimos que Maria Madalena foi a primeira em descobrir a tumba vazia e em levar aos discípulos a notícia dando sua própria explicação: “levaram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram”(Jo 20,1-2).

 

Ela também tem o privilégio de ser a primeira a encontrar o Senhor ressuscitado (20,11-18). Sua notícia, então, será diferente: “Vi o Senhor” (20,18).

 

É assim que Maria passou da dúvida da madrugada à luz radiante da Páscoa. Hoje fazemos com Maria de Magdala este caminho.

 

(1) As lágrimas de Maria (20,11ª)

 

Enquanto os dois discípulos regressam deixando atrás a tumba vazia com seus panos pelo solo (20,10), Maria permanece em lágrimas junto à tumba, aferrada a última recordação tangível que lhe resta de Jesus: (20,11ª).

 

Maria está aferrada ao que de algum modo lhe transmite ainda uma proximidade a Jesus. Mas agora a dor é dupla: segundo ela roubaram o cadáver do Senhor (20,2.13.15).

 

Nos primeiros versículos se repete a palavra “chorar” quatro vezes. Porém cada vez é distinto: Maria vai fazendo um caminho pascal que tem seu momento cume no reconhecimento do Amado e se projeta ainda muito mais além na nova comunhão de vida a que a convida o Jesus glorioso.

 

(2) Um progressivo reconhecimento de Jesus (20,11b-16)

 

Maria dá um passo importante em seu caminho de fé quando é capaz de olhar dentro do sepulcro, saindo assim de sua paralisia emocional e quando começa a dizer o que sente.

 

Primeiro a interrogam os dois anjos que estão sentados sobre o sepulcro (20,13). Em sua resposta (20,13b) se nota um fio de esperança: crê que o assunto vai se solucionar caso recupere o cadáver.

 

Logo a interroga o próprio Jesus Ressuscitado, a quem ela não reconhece a primeira vista: “viu a Jesus, de pé, porém não sabia que era Jesus” (20,14). Maria o confunde com o jardineiro. Esta vez a pergunta tem um novo elemento: “A quem buscas?” (20,15a).

 

Esta pergunta é conhecida no Evangelho: aparece ao começo e ao final do caminho de discipulado (1,38 e 18,4.7). O assunto não é um “que”, mas um “quem”, uma pessoa, uma relação viva que faz falta. Maria vai sendo pouco a pouco conduzida ao núcleo do mistério.

A resposta de Maria reflete então todo seu amor: “eu o irei buscar!” (20,15b). E é aqui onde se revela Jesus chamando-a, como o Bom Pastor (10,3), por seu próprio nome: “Maria!”.  Ela compreende e o reconhece: “Mestre!”, um título que – no Evangelho de João – somente os discípulos usam para dirigir-se a Jesus (ver 1,38.49; 4,31; 9,2; 11,8).

 

Jesus e Madalena se chamam reciprocamente segundo a maneira como o faziam antes da morte de Jesus. A relação entre Jesus e seus amigos não muda internamente, porém, isso sim, pelo novo estado do Ressuscitado muda sua forma externa.

 

A experiência do Ressuscitado é a resposta a um chamado. É no reconhecimento de sua voz que se dá o verdadeiro reconhecimento de Jesus. Esta voz nos chama em todas as circunstâncias e encontros da vida nos quais, se temos viva a chama do amor, estaremos em capacidade de ler nos sinais um toque do esplendor de Jesus em todas as coisas.

 

(3) Maria e seu novo estilo de relação com Jesus (20,17-18)

 

Maria cai aos pés de Jesus para abraçá-lo, porém Jesus lhe disse: “Não me toques, que, todavia não subi ao Pai” (20,17ª).

 

O intento de reter Jesus parece indicar a vontade de continuar aferrada ao Jesus que conheceu em sua etapa terrena. Porém Jesus a leva agora a olhar para o futuro da relação: “Vai a meus irmãos e diz-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai, a meu Deus e vosso Deus” (20,17b).

 

Jesus deixa claro para Maria que não está vivendo sua existência terrena e que não será como antes: Ele regressa ao Pai onde tem seu lugar próprio. Jesus então está na última etapa de seu caminho.

 

Maria e os discípulos estão convidados a percorrê-lo, para isto devem compreender que significado tem para eles a plena comunhão de Jesus com o Pai: (a) Pela primeira e única vez Jesus os chama “meus irmãos”; e (b) Pela primeira e única vez Jesus declara que Deus é o “Pai” dos discípulos.

 

Eis aqui uma nova revelação do Ressuscitado: os discípulos sabem que Deus também é seu Pai e que através deste Pai eles estão unidos a Jesus como irmãos.

 

Chega-se, assim, ao cume da Aliança. A antiga fórmula “Eu serei vosso Deus e vós sereis meu povo”, tem uma nova expressão na páscoa de Jesus que, por este caminho, insere os discípulos de modo pleno em sua estreita relação com o Pai: “Meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.

 

Este é o dom extraordinário de amor que os discípulos receberam pelo sacrifício do Filho na Cruz (3,16): este é o amor que Deus oferece ao mundo.

 

Portanto, por meio de sua morte e ressurreição Jesus regressa ao Pai, não para separar-se dos seus, mas para unir-se a eles de modo pleno e definitivo através de sua comunhão com o Pai (ver 14,1-3; 16,7.22).

 

Maria Madalena chorava um defunto, porém Jesus Ressuscitado a orienta pelo caminho correto pelo qual deve buscá-lo: a relação viva de amor que havia começado com o Jesus terreno se orienta de modo definitivo para a comunhão total na Trindade.

 

A Ressurreição de Jesus não é perda, pois, agora o Mestre está mais unido que nunca a seus discípulos e os atrai fortemente para a perfeita aliança.

 

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Em que se parece o caminho de fé de Maria ao meu?

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  • Reflitamos um pouco sobre esta atualização do evangelho de hoje:

 

Maria é a discípula que se paralisa frente à tumba e por tanto frente ao fato da morte; o evangelho a retrata como a discípula das lágrimas. Pois bem, Maria é cada um de nós frente a dor, as desgraças que nos desanimam. Nas lágrimas de Maria estão as lágrimas de cada um de nós, sinal de nossa debilidade.

Choramos porque nos topamos com a barreira de nossas limitações, com o cruel fato de que há coisas que, por mais que queiramos- não podemos mudar. Choramos porque nos sentimos incapazes dos sinais do ressuscitado, porque não vemos um caminho de saída a nossas angustias, nossas inquietudes mais profundas, a nossas perguntas serias. Como se vê na passagem seguinte (que leremos próximo domingo), transcender as lágrimas é um dom de Deus. Será Jesus ressuscitado que, com sua sabia pedagogia e sua misericórdia, lhe abrirá os olhos à realidade da ressurreição. “Que vistes de caminho, Maria na manhã? ‘Ah, meu Senhor glorioso, a tumba abandonada, os anjos testemunhas, sudários e mortalha. Ressuscitou, deveras meu amor e minha esperança!’”

(Da Liturgia Romana)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUARTA-FEIRA

Lucas 24,13-35

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO (III): EMAÚS, UM ITINERÁRIO DE VIDA E ESPERANÇA.

“Não estava ardendo nosso coração dentro de nós quando nos falava no caminho e nos explicava…?”

 

O relato dos discípulos de Emaus nos ensina a reconhecer nos caminhos da vida a presença do Ressuscitado, a repetir seus gestos reveladores e a formar desde ali uma verdadeira comunidade pascal.  A todos nós convém percorrer este itinerário.

 

  1. Dois discípulos se afastam de Jerusalém (24,13-24)

 

O caminho de Emaus é um caminho de afastamento de Jerusalém. Os dois discípulos, Cleofas e seu companheiro, se afastam, pouco a pouco, do lugar onde experimentaram a grande dor da paixão.

 

Quando se disse que são dois “deles” se mostra que se trata do afastamento discreto da comunidade de Jesus, uma comunidade que – sem o Mestre – já não significa nada para eles.

 

Jesus se aproxima e caminha junto com os discípulos, porém estes não o reconhecem. “Seus olhos estavam retidos para que não o conhecerem” (24,16). É seu modo de ver a Paixão o que lhes impede reconhecer Jesus ressuscitado.

 

Vale dizer neste ponto que, às vezes, conosco acontece o mesmo: em nossa vida há situações duras, contraditórias, inclusive muito dolorosas; se nos encerramos em nossa dor, em nossa decepção e não vemos, senão o lado negativo das coisas, nunca vamos poder dar-nos conta da presença de Jesus que está ai caminhando a nosso lado, disposto a dar sentido e esperança a nossas penas.

 

Jesus começa a educar os dois peregrinos. Primeiro os faz falar com ele: “Que discutis entre vós enquanto vais andando?” (24,17ª). A primeira reação dos discípulos não é muito amável (224,18).

 

Então contam o que passou: uma esperança frustrada, eles não veem o sentido positivo da Paixão. Em suas palavras se nota o desengano. Todos os sonhos vieram abaixo, tudo acabou.

 

Jesus se situa ao mesmo nível no qual estão eles e logo os vai conduzindo gradualmente até o nível de compreensão que Ele tem. Jesus desce até o escândalo da cruz que os discípulos têm ainda vivo: “pararam com ar entristecido” (24,17b).

 

Jesus começa a atraí-los para sua experiência de ressurreição deixando que exponham os acontecimentos pascais dessa mesma manhã, não importa que concluam que “não o viram”.

 

  1. Jesus lhes explica as Escrituras (24,25-27)

 

A luz da Palavra de Deus é a primeira em começar a acender a esperança na escuridão do coração dos discípulos. Jesus os guia em uma leitura do sentido da Paixão na Escritura. Ali entendem que “era necessário que o Messias padecesse para entrar em sua glória” (24,26).

 

O sofrimento pode converter-se em um caminho de glória. Ou melhor, os discípulos conheciam esses textos da Bíblia, porém acontecia a eles como acontece a nós muitas vezes. Com frequência temos recebido toda uma formação, sabemos os ensinamentos da Bíblia e da Igreja, porém quando chega o momento, não sabemos pô-los em prática.

 

Às vezes oferecemos tudo ao Senhor, os sofrimentos inclusive, porém quando nos vemos em situações penosas nos enredamos em nossos sentimentos negativos, nos ofuscamos, protestamos, não vemos como encaixa isso na experiência de Deus.

 

  1. Jesus aceita a hospedagem que lhe oferecem os discípulos e se dá a conhecer (24,28-31)

 

Jesus não só partilha a casa deles, mas também sua mesa. Ali lhes renova o gesto da última ceia.

 

Os discípulos o reconhecem na fração do pão, ou seja, no gesto do dom que revela o sentido positivo da paixão: a generosidade de Jesus para nós, seu amor que chegou até o extremo de dar a vida e que tem transformado seu sentido (a morte como doação de si mesmo).

 

E foi ai, no sentido positivo de sua paixão, onde o reconheceram.

 

  1. Os discípulos regressam a Jerusalém (24,32-35)

 

Com o coração ardente, com o rosto de Jesus impregnado em suas retinas, com uma nova visão da cruz, com uma nova força, depois de andarem tristes, os discípulos transformados percorrem o caminho inverso: regressam a Jerusalém, ao mesmo lugar da Paixão, que tanta frustração trouxe.

 

Este é também o lugar da comunidade, da qual haviam perdido o gosto, e aí recomeçam seu caminho de fé. É a comunhão na fé pascal que nos leva à comunhão de amor em uma vida ricamente fraterna.

 

  1. Todos os dias se repete este caminho

 

Todos os dias nós vivemos, na Eucaristia, estes dois momentos: a liturgia da Palavra e a Liturgia da Eucaristia. As duas vão unidas, porque o pão eucarístico é um pão para a fé, para o amor. Por isso tem uma relação estreita com a Palavra de Deus.

 

Toda a Bíblia tem seu sentido definitivo no mistério eucarístico: ao mesmo tempo que explicita seu mistério, nos deixa ver a riqueza de seus distintos aspectos. A Eucaristia é presença de Cristo ressuscitado, pão vivo e vivificante, pão que revela o sentido da Paixão e a realidade da Ressurreição.

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Por que e como se afastam os dois peregrinos de Emaus de Jerusalém?

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  • Que passos dá Jesus em sua pedagogia com eles para fazê-los voltar?

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  • Como se repete hoje este evangelho?

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A ressurreição de Cristo é “um fato que implica a toda a humanidade, que se estende no mundo e tem uma importância cósmica. Do valor universal da ressurreição de Cristo se deriva o significado do drama humano, a solução do problema do mal, a gêneses de uma nova forma de vida que se chama ‘cristianismo” (Paulo VI, homilia de Páscoa, 1964)

 

 

 

QUINTA-FEIRA

Lucas 24,35-48

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO: OS TESTEMUNHOS PASCAIS.

“Vós sois testemunhas destas coisas”

 

O Evangelho deste 3º Domingo de Páscoa nos apresenta a aparição de Jesus ressuscitado a seus onze apóstolos reunidos a comentar o que haviam contado os discípulos de Emaus.

 

Os apóstolos até que aceitaram o que fora dito por esses discípulos baseando-se no testemunho de Pedro (Lc 24,34). Isso acontece em Jerusalém, pouco depois da ressurreição.

 

Apesar de tudo, o ambiente é de medo, de perturbação e de dúvida. Quando, nesta mesma ocasião, Jesus ressuscitado aparece no meio deles, a reação é esta: “Sobressaltados e assustados, acreditavam ver um espírito”.

 

Jesus mostra a eles que sua volta à vida é “ressurreição da carne”: “Vede minhas mãos e meus pés…”. E para maior demonstração comeu diante eles.

 

Retomando a catequese que deu Jesus aos discípulos de Emaus, São Lucas introduz um segundo elemento essencial e que faz com que a luz do rosto de Jesus ressuscitado brilhe sobre nós. Trata-se da escuta e meditação das Sagradas Escrituras. É esta a catequese que São Lucas quer levar às comunidades cristãs de sua época.

 

A ressurreição de Jesus terá sido uma simples invenção da Igreja primitiva, ou um piedoso desejo dos discípulos, esperançados em que a maravilhosa aventura que viveram com Jesus não terminasse no fracasso da cruz e num túmulo? É, sobretudo a esta questão que Lucas procura responder.

 

Na sua catequese, Lucas procura deixar claro que a ressurreição de Jesus foi um fato real, indubitável, que os discípulos descobriram e experimentaram somente após muitas dúvidas e incertezas.

 

Com efeito, todos os relatos das aparições de Jesus ressuscitado falam das dificuldades que os discípulos sentiram em acreditar e em reconhecer Jesus ressuscitado. São apresentados como um grupo crédulo, idealista e ingênuo, prontos a aceitar qualquer ilusão; mas como um grupo desconfiado, crítico, exigente, que a muito custo acabou por reconhecer Jesus vivo e ressuscitado.

 

Foi esse o caminho que os discípulos percorreram na sua experiência com o Cristo ressuscitado, até chegarem à certeza da ressurreição. É essa certeza que os relatos da ressurreição, na sua linguagem muito própria, procuram transmitir-nos.

 

O anúncio da Ressurreição de Jesus não provém de uma teoria, mas da experiência dos que foram testemunhas dela mediante os encontros com o Ressuscitado e logo afirmaram: “Nós o temos visto. Ele tem aparecido. Ele vive”.

 

No relato de hoje vemos como os discípulos chegam à fé na ressurreição por meio de uma experiência suscitada pelo mesmo Jesus. A iniciativa provêm d’Ele. Jesus se apresenta e se mostra aos discípulos. O primeiro que acontece no encontro com Jesus ressuscitado é a saudação da paz: “A paz esteja convosco” (24,36). A paz é seu dom pascal (ver Evangelho do próximo domingo).

 

Por sua parte, os discípulos devem vencer o medo, as dúvidas e suas reflexões pouco claras, para convencer-se de que não se trata de um fantasma, mas de Jesus em pessoa. Logo o texto nos mostra três gestos de Jesus:

  1. Jesus mostra as mãos e os pés: os sinais de sua morte na cruz (24,39ª).  Dessa  maneira lhes mostra que é o mesmo que morreu na cruz.
  2. Jesus dá permissão para que o toquem (24,39b).
  3. Jesus come peixe diante deles (24,41-43). Deixa claro que não é um fantasma, mas que está diante deles com realidade concreta.

 

A ressurreição de Jesus não significa que Ele tenha regressado da morte à vida terrena, ficando exatamente igual a como o conheceram antes de sua morte.

 

Se assim fosse, Jesus teria que morrer de novo. E a ressurreição de Jesus é muito mais que isso: significa que a Ele, que morreu em uma cruz e foi sepultado, Deus lhe deu uma vida nova e definitiva, que supera a morte.

Os discípulos não se deixaram enganar por um espírito, nem por uma ilusão: trata-se de Jesus, em pessoa, o que conheceram antes da cruz, porém ao mesmo tempo gloriosamente diferente. Ele vem ao encontro de seus discípulos com uma existência e uma realidade nova e definitiva.

 

Jesus mesmo, por iniciativa própria, os convenceu de que superou a morte e que realmente vive. Jesus tem de si mesmo e de sua vida poderosa o conteúdo, a essência do testemunho de seus discípulos.

 

Logo, em 24,44-48, o vemos como o Ressuscitado explica a seus discípulos que seu destino se compreende desde o plano de Deus e lhes ajuda a entender o sentido das Escrituras, assim como já havia feito antes com os discípulos de Emaús.

 

Com sua morte e ressurreição, Jesus completou o conteúdo da mensagem que deve ser anunciado a todos os povos. No nome de Jesus, e no testemunhar a Ele, a partir de tudo o que se tem manifestado através de sua obra e seu caminho até a cruz e a ressurreição, devem ser anunciados a todos a conversão e o perdão dos pecados.

 

Todos os homens, portanto, são chamados a converter-se ao Deus que, através do caminho de Jesus, compartilhou nosso destino humano até a morte na cruz e a ressurreição vencedora da morte. Todos os homens são chamados a converter-se ao Deus que demonstrou seu amor e seu poder.

 

A conversão se levará no apoiar-se com confiança nas mãos deste Deus, então perdoará todos os pecados e dará a plena comunhão com Ele.

 

O encontro com o Ressuscitado faz dos discípulos verdadeiras testemunhas. Todo anúncio deve partir deste testemunho e não de especulações, ideias ou opiniões pessoais e sim sobre o fato e sobre as instruções pascais do Senhor Jesus.

 

Toda a transmissão da mensagem pascal depende do fato de que os apóstolos são testemunhas oculares dignos de fé e tem prestado um serviço fiel a sua Palavra.

 

Em síntese, Jesus convence seus discípulos da realidade de sua vida nova, os leva à compreensão da Escritura e de seu caminho, lhes mostra o conteúdo do anúncio e em que consiste sua tarefa missionária e finalmente os confirma como seus testemunhos. Sobre esta base se faz a experiência de Jesus ressuscitado.

 

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Por que Jesus se mostra com tanto realismo aos apóstolos?

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  • Qual é o conteúdo do anuncio que devem transmitir os apóstolos?

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  • Em que se baseia este anuncio?

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SEXTA-FEIRA

João 21,1-14

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO (V): À BEIRA DO MAR:

O amanhecer do reconhecimento e a comunhão plena com o Senhor

 

O começo e o final do relato sublinha que se trata de uma “manifestação” de Jesus ressuscitado (20,1.14). Diz-se expressamente que foi “a terceira vez que Jesus se manifestou a seus discípulos depois de ressuscitar dentre os mortos” (20,14).

 

Jesus ressuscitado já havia se apresentado duas vezes a seus discípulos como seu Senhor vivente e exaltado (20,19-29), conduzindo-os, progressivamente, até a cume do caminho da fé pascal, expressada na confissão de fé de Tomé, que é viver sob o Senhorio de Jesus (ver 20,28-29).

 

“Manifestou-se assim…” (20,1)

 

A terceira aparição do Ressuscitado –segundo João- também é um caminho de fé que parte da noite do escândalo da Cruz e do sentimento de ausência do Senhor, até o amanhecer do reconhecimento de sua presença viva e eficaz, e da comunhão plena com Ele.

 

Um processo verdadeiramente estarrecedor!

 

Tal como se enfatiza no texto, não se trata somente da revelação da verdade da ressurreição, mas de fazer a experiência do fato. Esta é a “manifestação” completa.

 

Assim como nos relatos da aparição a Maria Madalena (Jo 20,11-18) e aos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), tampouco aqui Jesus não é reconhecido em um primeiro momento, já que se necessita um processo para captar os sinais que “manifestam” sua presença.

 

Porém, agora a “manifestação” do Ressuscitado vai além: aponta ao novo estilo de vida do discipulado no tempo pascal. Os discípulos fazem um itinerário no qual aprendem a viver pascalmente, isto é, atuar na vida guiados por sua palavra que dá grandes resultados submerge tudo na relação vivificante com o Senhor Ressuscitado.

 

Os discípulos descobrem, além do mais, que fazer comunidade não é simplesmente “estar juntos” (21,2ª) mas fazer una dinâmica interna: chegar a ser realmente “comunidade de amor” que “centra” e ao mesmo tempo “irradia” o ponto de convergência que é Jesus confessado como “O Senhor” (21,7.12), que exerce seu Senhorio na Palavra e na nutrição eucarística, sinal de vida abundante, reconciliação e fraternidade (21,9-13).

 

(1) Os discípulos voltam ao mar na noite (21,2-3)

 

Fazendo caso omisso dos relatos anteriores, o evangelista mostra um grupo de sete discípulos que depois da cruz voltam a sua antiga profissão (20,2). Eles não vão adiante na missão, voltam a ser como antes do chamado do Senhor. A sombra do silêncio se estende sobre o fracasso.

 

Sob a liderança de Pedro, há uma tentativa de fazer comunidade, porém o vazio se sente: sem o Mestre não tem sentido.

 

Os discípulos não têm projeto, vão, simplesmente, onde a boa iniciativa do líder os leve: “‘Vou pescar’. Dizem eles: Também nós vamos contigo” (21,3a).

 

Na realidade, sem Jesus, andam sem orientação. A prova é que a noite de trabalho se torna inútil. Durante a noite não pescam nada (21,3b). Quando vai chegando o fim da noite também se vão indo as esperanças de uma boa pesca.

 

(2) Jesus “está ali” e guia os discípulos (21,4-8)

 

Nesse momento crítico, quando o sol já tem levantado, quando se sente amargamente a frustração de uma noite perdida, o evangelista anota: “Estava Jesus na praia” (v.4a).

 

A forma do verbo é importante: deixa entender que Jesus sempre tem estado ai. Jesus está com seus discípulos não somente nos momentos bons e alegres da vida, mas também á hora da dificuldade. Também o estará em meio de sues perseguições e da morte. Jesus estará sempre ali. Porém os discípulos não o reconhecem, faz falta um sinal (21,4b).

 

Começa então a “manifestação” por iniciativa de Jesus: “Jovens, não tens pescado?” (21,5ª). Os chama com uma frase amável que bem poderia soar assim: “Meus queridos filhinhos”. De forma mais ou menos parecida os havia chamado à hora da despedida, quando seus corações estavam desanimados pela iminente separação (ver 13,33).

 

Enquanto Ressuscitado, Jesus não tem se separado deles, permanece unido a eles com amor e trato afetuoso.A resposta à pergunta, evidentemente, é negativa (21,5b). Então Jesus lhes dá instruções precisas e devolve a esperança anunciando-lhes uma pesca abundante (21,6ª).

 

Eles crêem em sua Palavra e obtêm um resultado impressionante: as redes ficam repletas de peixes (v.6b). Os discípulos fizeram isto repetidamente toda a noite. Jesus manda lançar a rede uma só vez.

 

Mas desta vez é diferente: é uma ordem do Senhor. A experiência demonstra aos discípulos que seus êxitos não se devem a esforços pessoais, mas à manifestação do poder da Palavra de Jesus. Começam então as reações dos discípulos (21,7-8).

 

Destaca-se, em particular a do Discípulo Amado e a de Pedro:

  • O discípulo que Jesus amava reconhece o Senhor: “É o Senhor!” (21,7ª). Assim como na manhã de Páscoa, junto à tumba vazia (20,2.8), também agora o discípulo que Jesus amava é o primeiro em reconhecer a Jesus com uma grande sensibilidade de fé. E não só o reconhece, mas que o comunica a Pedro, que também é o primeiro que vai ao seu encontro;
  • Pedro quer chegar primeiro a Jesus: “Quando ouviu ‘é o Senhor’, pôs a veste e se lançou ao mar” (21,7b). Pedro não aguenta. Não vê a hora de chegar até onde Jesus está. Esquece-se de tudo: os pescados, a barca, os outros discípulos e se lança em direção a Jesus em meio das águas frias da manhã. Se acaso tem tempo para pôr a roupa para chegar digno onde está seu Senhor.

 

Se bem que o discípulo Amado é o primeiro em reconhecer a Jesus, Pedro é o primeiro em atirar-se a água. É o prelúdio do que virá mais adiante: “Me amas mais que estes?” (20,15).

 

(3) Jesus convida os discípulos a comer. O dom da comunhão plena com o Ressuscitado (20,9-14)

 

Estando todos já na praia, Jesus os convida a partilhar com Ele a primeira refeição do dia.  Oferece-lhes peixe à grelha e pão. Por instrução de Jesus, os discípulos também fazem sua contribuição com o recém pescado (21,10).

 

Nesta refeição cada um contribui com o seu, mas o dom de Jesus é superior, pois, de todos os modos, tudo provém d’Ele. Justo à hora do partilhar se faz a conta: os peixes são “cento cinquenta e três”.

Pela terceira vez o relato sublinha a “abundancia de peixes” (20,6.8; e além do mais “grandes”, 21,11ª). Só que desta vez há um número preciso. Como entender este número? O melhor talvez seja vê-lo como uma forma de indicar, com um detalhe real,a abundancia da pesca.

 

Porém há também outras explicações que vem aqui um simbolismo, das quais (permita-nos esta vez) valeria a pena mencionar duas:

 

  • A primeira tem a ver com o alfabeto. Os antigos –judeus, gregos, romanos, outros – não contavam com os sinais gráficos que temos hoje para indicar os números, para isso usavam as letras do alfabeto (para os romanos: I=1, V=5; X=10, e assim por diante). Isto dava cálculos interessantes: “meu nome vale tanto…”; ou então: “a dia de meu nascimento dá tal frase… ou tal nome”. Pois bem, o número 153 poderia representar, em hebreu, frases bem significativas para esta pesca, tais como: “Qahal ha ahavah” =“comunidade de amor”); ou também “B’ney ha Elohim” (=“filhos de Deus”).

 

  • A segunda explicação (todavia menos convincente) é que se trata de uma questão de soma. Vários números tinham um valor especial (como hoje para nós: “uma pessoa nota 10”, para dizer o máximo; ou “já te disse mil vezes”, etc.). Se, se toma o número 7 (número perfeito ou completo), mais o número 10 (símbolo do que está completo) e somamos: 10+7=17. Agora somamos todos os números de 1 a 17 (1+2+3+4+…17), nos da 153, significando totalidade.

 

Estas explicações não são mais que meras hipóteses. Porém é o relato mesmo o que nos dá a pista fundamental: Jesus congrega a sua comunidade, a unifica em uma experiência de amor caracterizada pela doação recíproca na qual não há mesquinhez, mas pelo contrario, uma grande generosidade, até o máximo (como se manifestou na Cruz).

 

Enfim, a ação de Jesus na praia faz com que o vivido em alto mar encontre sentido. A comunidade reunida em torno a Ele escuta a última instrução: “Vinde e comei” (21,12).

 

Notemos como, ao fim, tudo foi conduzido pela iniciativa e senhorio de Jesus, o que notamos nos sucessivos imperativos:

(a) “Lançai a rede” (21,6ª);

(b) “Trazei alguns dos peixes” (21,10); e

(c) “Vinde e comei” (21,12).

 

Com os últimos imperativos a progressiva atração a Jesus chega ao máximo.  Jesus faz, então, um gesto significativo: “Toma o pão e o dá” e o mesmo faz com o peixe (v.13b). A frase nos remete à multiplicação dos pães (6,11), também à beira do mar de Tiberíades (6,1).

 

Esta estreita relação com o cap. 6 de João dá ao gesto um matiz eucarístico. O gesto externo toca também o interno: Jesus vai até o fundo da amizade partida. A Pedro o peixe deve ter tido sabor de lágrima, já que Jesus lhe oferece este sinal de amizade ante uns carvões acesos, como na hora da negação (ver 18,18).

 

E, entretanto, um silêncio que fala: “Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-lhe ‘Quem és tu?’, sabendo que era o Senhor” (21,12b). De novo, como ao principio, volta o ambiente de silêncio, nenhum dos discípulos diz uma só palavra.

 

Mas, já não é o silencio amargo do escândalo da Cruz, mas o que reconhece uma presença viva, que acolhe a identidade do Mestre, que satisfaz a interpelação do coração.

 

Agora que Jesus ressuscitou, Jesus resgata a seus discípulos da noite de uma ausência que nunca tem sido tal e atrai a sua comunidade a uma comunhão mais profunda com Ele.  Neste comer juntos Jesus é para eles mais que nunca “o pão que dá a vida” plena e ressuscitada (6,35).

 

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Que implica a experiência da ressurreição de Jesus para a vida de discipulado?

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  • Que passos segue a formação da comunidade de Jesus Ressuscitado neste relato?

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Como se repete este processo hoje?

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  • Neste relato aprendemos que a vida e a missão da Igreja não é fecunda por nosso trabalho, mas pela benção do Senhor. Que corresponde a nós?

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  • Que caracteriza a Pedro e ao Discípulo Amado nesta passagem?

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Como se complementam?

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Que indica a prioridade que se lhe dá a Pedro?

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  • Em ambiente de fraternidade, onde se compartilha o pão, o Ressuscitado se manifesta. Que gestos de fraternidade pascal nós estamos promovendo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SÁBADO

Marcos 16,9-15

ENCONTRO COM O RESSUSCITADO (VI): UM RESUMO.

“Ide por todo o mundo e proclamai a Boa Nova a toda a criação”

 

Estes últimos versículos de Marcos não aparecem em alguns dos manuscritos gregos mais antigos do Novo Testamento, porém os reconhecemos como igualmente inspirados.

 

Este “apêndice canônico” de Marcos faz um resumo das aparições do Ressuscitado que vemos nos outros evangelhos, como se segue abaixo:

 

  • A aparição a Maria Madalena (v.9-11) – descreve-se amplamente em João 20,1-18.
  • A manifestação a “dois deles” (v.12-13) – relata-se completamente em Lucas 24,12-35.
  • A aparição aos “Onze” (v.14) – encontramos em João 20,24-29.
  • O envio missionário (v.15) – encontramos em Mateus 28,28-20.

 

Crer ou não crer é o problema que vai se resolvendo ao longo da síntese. Não é necessário ver para crer. É o contrário: crendo e praticando a fé é que se faz a experiência do Ressuscitado.

 

Os onze só creram vendo. “Estavam aflitos e choravam”, porém não creram no testemunho de Maria Madalena, nem no anuncio de “dois deles”. Por isso, quando Jesus se manifestou aos Onze, quando estavam na mesa, lhes censurou “sua incredulidade e a dureza de seu coração” (v.14).

 

Ainda assim, de nenhum modo Jesus retira a confiança neles depositada para que sejam os continuadores da obra que iniciou, mas recebem a missão de “proclamar o Evangelho a todas as criaturas”. Toda a experiência pascal aponta a esta ação: a evangelização do mundo inteiro e do homem inteiro.

 

Aprofundemos com os nossos pais na fé

 

Santo Ireneu de Lyon (c. 130 – c. 208), bispo, teólogo e mártir

 

“Proclamai a Boa Nova a toda a criação”

 

A partir do momento em que nosso Senhor ressuscitou dos mortos e os apóstolos foram

revestido com a força do alto pela vinda do Espírito Santo (Lc 24,49), eles ficaram cheios de

certeza a propósito de tudo e receberam o perfeito conhecimento.

Então, foram até às extremidades da terra (Sl 18,5), proclamando a Boa Nova que nos vem de Deus e anunciando aos homens a paz do céu, eles que possuíam todos por igual e cada um em particular o Evangelho de Deus.

Assim, Mateus, no meio dos Hebreus e na sua própria língua, publicou uma forma escrita do

Evangelho, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam Roma e aífundavam a Igreja.

Após a morte deles, Marcos, discípulo de Pedro e seu intérprete (1Pe 5,19), transmitiu-nos também por escrito a pregação de Pedro.

Por seu lado, Lucas, companheiro de Paulo, consignou num livro o Evangelho pregado por este.

Por fim, João, o discípulo do Senhor, o mesmo que tinha repousado sobre o seu peito, publicou também ele o Evangelho, durante a sua estadia em Éfeso…

Marcos, intérprete e companheiro de Pedro, apresentou assim o início da sua redação do Evangelho: «Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Tal com está escrito nos profetas, “eis que envio o meu mensageiro diante de ti para preparar o teu caminho”»… Como se vê, Marcos faz das palavras dos santos profetas o início do Evangelho, e aquele que os profetas proclamaram como Deus e Senhor, Marcos põe-no logo a abrir como Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…

No fim do Evangelho, Marcos diz: «E o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi levado aos céus e sentou-se à direita de Deus».

É a confirmação da palavra do profeta: «Oráculo do Senhor ao meu senhor: Senta-te à minha direita e eu farei dos teus inimigos escabelo para os teus pés» (Sl 109,1).

 

 

Para cultivar a semente da Palavra no coração:

 

  • Como culmina o resumo das aparições no evangelho de Marcos?

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  • Que relação há entre as aparições e a fé dos discípulos?

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Que relação entre a fé e a evangelização?

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  • Que me diz isto ao final de uma semana a qual tenho revivido grande parte dos itinerários pascais dos evangelhos?

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