Estudo Bíblico Semanal de 02 a 07 de Julho

13ª Semana da Tempo Comum – Ano B

Autor: Padre Fidel Oñoro, CJM

 

SEGUNDA-FEIRA

Mateus 8,18-22

COMPARTILHAR O CAMINHO DE JESUS, SIM, PORÉM HÁ EXIGÊNCIAS.

 “Segue-me, e deixa que os mortos enterrem a seus mortos”

Após curar um terceiro excluído, uma mulher sem nome, da qual só sabemos que era sogra de Pedro, e de pô-la ao serviço do Reino (8,14-15), o rosto misericordioso do Jesus que salva aparece à luz da profecia de Isaías: “Ele tomou nossas fraquezas e carregou nossas enfermidades” (8,17; 53,4).

Em seguida, em meio da missão, e quando Jesus acaba de dar uma ordem para abrir os horizontes missionários em terra pagã, aparece um escriba (8,19) e um discípulo (8,21), cujos pedidos dão pé para um ensino sobre a radicalidade do seguimento de Jesus.

O Mestre da Lei se oferece para seguir Jesus, esperando poder andar com ele, sem romper com nenhuma de suas seguranças. Porém, Jesus lhe nega essa possibilidade.

Assim como o “Servo sofredor” profetizado por Isaías 53,4, para “carregar as enfermidades”, dos outros e abrir-se aos novos horizontes missionários entre os pagãos, há de viver completamente desprendido, na pobreza que dá liberdade de coração (ver 8,19-20).

Outro discípulo tenta antepor ao seguimento de Jesus Cristo seus deveres com o pai defunto (8,21). Jesus lhe pede abandonar ao pai, o que quer dizer: romper com a dependência das tradições que impedem a missão.

O seguimento e a vida missionária supõem entrar em uma nova etapa de vida (8,22).

Aprofundemos com os nossos pais na fé

Santa Clara (1193-1252), monja franciscana.

I Carta a Inês de Praga, § 15-23.

“Mestre, seguir-te-ei para onde quer que vás”

 

Bem-aventurada pobreza, que prodigaliza riquezas eternas aos que a amam e a abraçam!

Santa pobreza – aos quantos a possuem e a desejam promete Deus seguramente o Reino os céus, a glória eterna e a vida feliz.

Querida pobreza, que o Senhor Jesus Cristo Se dignou preferir a tudo o resto, Ele que reinava e reina sobre o céu e a terra, Ele que “falou e as coisas existiram” (Sl 32,9).

“As raposas têm as suas tocas”, diz Ele, “e as aves dos céus os seus ninhos, mas o Filho do Homem”, isto é, Cristo, “não tem onde reclinar a cabeça.”

Quando finalmente deixou repousar a cabeça sobre a cruz, entregou o espírito (Jo, 19,30).

Dado que Senhor tão grandioso quis descer ao seio da Virgem, dado que quis aparecer ao mundo desprezado, indigente e pobre, a fim de que os homens, indigentes, pobres e famintos de alimento celeste, se tornassem ricos nele, entrando na posse do Reino dos céus, exultai de alegria.

Regozijai-vos com grande felicidade e alegria espiritual.

Se preferis o desprezo às honras, e a pobreza às riquezas deste mundo, se confiais os vossos tesouros, não à terra mas ao céu, onde a ferrugem não os corrói, nem “a traça os destrói, nem os ladrões arrombam os muros, a fim de roubar” (Mt 6,20), “será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,12).

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Que relação há entre a passagem “vocacional” de hoje com o contexto anterior em Mateus: os três milagres com os excluídos e a profecia do Servo sofredor de Yahweh?
  • Por que o evangelista Mateus coloca, diferente de Lucas, somente dois personagens no caminho, um Mestre da Lei e um que já é Discípulo de Jesus?

Que está querendo ensinar?

  • Tem alguma relação com a apresentação que Mateus faz de si mesmo em 13,52?
  • Por que Jesus expõe estas exigências vocacionais justo antes do relato da tempestade acalmada e da missão em território pagão?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TERÇA-FEIRA

Mateus 8,23-27

MISERICORDIA QUE SALVA (III): CRER EM MEIO DA TEMPESTADE

“Senhor, salva-nos, que estamos afundando”

 

A sorte dos discípulos, por própria aceitação, estava intimamente unida à de Jesus. Eles vêem que Ele sobe na barca e o seguem. Provavelmente, como sempre, vão para a outra margem, porém, nem Jesus os disse nem eles perguntaram, simplesmente o seguiram.

 

O v.24 descreve, claramente, a situação de uma barca levada pela tormenta, correndo perigo de afundar-se, porque as águas entram por todas as partes. Certamente, para alguns discípulos, veteranos pescadores, não era a primeira vez que isto sucedia e eles sabiam de sobra, como manejar estas situações.

 

Seguramente, eles fizeram todo o possível por manter a barca em equilíbrio e tiraram muita água que havia entrado, porém desta vez a tempestade se impôs, e Jesus dormia. Os discípulos, ao ver-se encurralados, despertam Jesus e dizem-lhe: “salva-nos, que estamos afundando” (25).

 

Eles se sentiram abandonados à sorte de um mar enfurecido de um modo fora do comum. Seguramente já haviam lutado de todos os modos contra as ondas por um espaço considerável de tempo. Era o momento de voltar os olhos a algo ou a alguém que pudesse mais. Então, todos de uma só vez, gritaram ao Mestre.

 

Neste ponto os discípulos reconhecem a sua incapacidade. Fizeram tudo o que puderam, e nada. Teria sido para eles mais gratificante que o mar houvesse se acalmado por si só e depois poder contar a Jesus que eles haviam conseguido vencer a tormenta e manter a barca flutuando. Mas, não. Foi necessário reconhecer a incapacidade e voltar os olhos a Jesus.

 

Jesus captou imediatamente. Não ia acaso Ele mesmo na barca? Então, que poderia acontecer? Quando foi chamado, não lhes disse: “Fiquem calmos, que disto cuido eu”. Ao contrário, os repreendeu: “Que covardes! Que homens de pouca fé!” (cf. 26).

 

E em um gesto sem precedentes: “levantou-se, ordenou aos ventos e à água e se fez uma grande calmaria”. (26). Estava Jesus bem sereno, e fez isso de súbito, sem pensar, sem alarido. Num abrir e fechar de olhos, a barca começou a mover-se, suavemente, sobre as ondas tranquilas.

 

O rosto do Mestre irradiava paz, e a força de seu amor incendiava por dentro. Isto os assustava, ao mesmo tempo, que os admirava e se davam conta que, ainda que vivendo ao seu lado, não o conheciam totalmente. Por isso perguntam: “Quem é este que até os ventos e o mar o obedecem?“ (27)

 

Aprofundemos com os nossos pais na fé

 

São João Crisóstomo (345-407), bispo de Antioquia, doutor da Igreja.

 

A libertação dos cativos

 

Neste dia, Jesus Cristo entrou como conquistador no abismo dos infernos.

Neste dia, “Ele quebrou (destruiu) as portas de bronze e rompeu os ferrolhos de ferro”, como diz Isaías (45,2).

Notai estas expressões. Ele não diz que “abriu” as portas de bronze, nem que as levantou, mas que as “quebrou”, para dar a entender que não há mais prisão, ou seja, que Jesus aniquilou (destruiu) esta morada dos cativos.

Uma prisão sem portas nem ferrolhos não pode ter prisioneiros.

Estas portas que Cristo quebrou quem as poderá restaurar?

Estes ferrolhos que ele rompeu quem os poderá recompor?

Quando os príncipes da terra libertam prisioneiros emitindo cartas de perdão, deixam subsistir as portas e os guardas da prisão, para mostrar aos que saem que, tanto eles como outros, ainda podem entrar de novo aí.

Cristo não age desse modo. Ao quebrar as portas de bronze, Ele testifica que não há mais cativeiro, nem morte. Por que portas de “bronze”?

Porque a morte era impiedosa, inflexível, dura como o diamante.

Durante séculos antes de Jesus Cristo, jamais algum dos seus cativos pôde-lhe escapar, até ao dia em que o Soberano do céu desceu ao abismo para lhe arrancar as suas vítimas.

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Como temos reagido nas vezes que o mar de nossa vida se enfurece?
  • Por que duvidaram os discípulos?

Que os levou a pedir ajuda ao Senhor?

  • A que me convida Jesus com a passagem de hoje?

 

 

 

 

 

 

 

QUARTA-FEIRA

Mateus 8,28-34

MISERICÓRDIA QUE SALVA (IV): ENCONTRO COM DOIS ENDEMONIADOS

“Vieste aqui para atormentar-nos antes do tempo?”

 

Ponhamo-nos à escuta do Mestre no relato de Mateus 8,28-34, que corresponde à quinta ação de Jesus, com poder, na grande seção de Mateus 8-9, que revela a força salvífica do Reino, cujo coração é a misericórdia do Pai. Notemos que o relato está marcado por dos encontros:

  • Dois endemoniados que “vieram a seu encontro” (de Jesus, 8,28); e,
  • Toda a cidade que “saiu ao encontro de Jesus” (8,34).

 

O primeiro encontro termina com a vitória sobre uma legião de demônio, e o segundo na rejeição de Jesus, por parte desta cidade.

 

O contexto é importante: os discípulos seguiram Jesus rumo à terra dos gentios (8,23-27), na região de Gadara. Durante a viagem passaram por uma violenta tempestade, talvez aludindo à resistência do mundo pagão à missão de Jesus; os discípulos sofrem as consequências.

 

Ali são convidados a fazer crescer sua “pouca fé” e que Jesus tem poder para salvar (8,25-26), ela – o reconhecimento do poder de Jesus e seu senhorio sobre o mundo e a história – os manterá em todas as situações similares, na missão.

 

No relato do exorcismo dos dois endemoniados gadarenos, que convivem entre os mortos, o poder de Jesus para salvar se faz patente sobre uma legião inteira de demônios. Porém, por outra parte, também vemos como Jesus sofre a rejeição por parte do povo pagão.

 

São, precisamente, os dois aspectos que haviam aparecido na cena da tempestade no lago. Com seu poder salvífico Jesus vai desterrando os espaços dominados pelo mal: (a) os corpos curados; e (b) os porcos (símbolo da contaminação pelo mal) empurrados para o escarpado (abismo da perdição).

 

Porém, isto não é suficiente, a experiência do poder de Jesus requer, também, a fé da cidade – que não aprecia no mínimo a obra que acaba de ser realizada – em Jesus. Eles preferem seguir em seu estilo de vida de sempre.  Como bem dizia a propósito deste texto, Pulís Alonso Schökel: “Está bem libertar os demônios de dois homens e dar sustos à população, porém negócio é negócio”. A resposta da fé nós veremos, em todo seu esplendor, na passagem que leremos amanhã.

 

Aprofundemos com os Padres da Igreja

 

São João Crisóstomo (345-407), bispo de Antioquia e de Constantinopla, doutor da Igreja.

 

“A libertação dos cativos”

 

Naquele dia, Cristo entrou no abismo conquistando os infernos.

Naquele dia, «Ele despedaçou as portas de bronze, quebrou os ferrolhos de ferro», como disse Isaías. Reparemos bem nestas expressões. Não é dito que «abriu» as portas de bronze, nem que tirou seus gonzos, mas «as despedaçou», para nos fazer compreender que deixou de haver prisão, para dizer que aniquilou a morada dos prisioneiros.

Prisão onde já não haja portas nem ferrolhos deixa de poder ter cativos os seus reclusos.

Essas portas, Jesus despedaçou-as; quem poderia voltar a pô-las?

E os ferrolhos que quebrou: que homem poderia voltar a colocá-los?

Quando os príncipes da Terra soltam os prisioneiros, enviando cartas de indulto, deixam as portas e os guardas da prisão, para demonstrar àqueles que saem que podem ter de ali voltar, eles ou outros.

Cristo não age desta maneira. Ao despedaçar as portas de bronze, dá testemunho de que não voltará a haver prisão, nem morte. Por que portas «de bronze»?

Porque a morte era impiedosa, inflexível, dura como o diamante.

Nunca antes, durante todos os séculos que precederam a Jesus Cristo, recluso algum pode fugir, até o dia em que o Soberano dos céus desceu ao abismo para daí arrancar as vítimas.

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Como se relaciona a passagem de hoje com o anterior? Que põe de relevo a comparação?

Que simbolizam os porcos?

  • Por que são lançados ao abismo? Que pretendia Jesus em território pagão?
  • Quando vejo pessoas degradadas em sua dignidade em meu caminho, como se vivessem em

um mundo de morte, quais são meus sentimentos? Que faria Jesus? Qual minha missão?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUINTA-FEIRA

Mateus 9,1-8

O PODER DO FILHO DO HOMEM PARA PERDOAR:

“Para que saibais que o Filho do homem tem, na terra, poder de perdoar pecados”

 

Continuamos com a leitura dos capítulos oito e nove do Evangelho de Mateus, onde – depois da catequese sobre o discipulado (Sermão da Montanha) – apresenta-se uma série de dez milagres de Jesus. Hoje vemos o sexto milagre: a cura de um paralítico.

 

Observemos, inicialmente, no texto:

  • Que há uma mudança de cenário: passamos do mundo do mar (que Jesus e os discípulos acabam de atravessar duas vezes) ao mundo urbano, quer dizer, ao mundo das relações, do tecido social: “passou à outra orla e vindo a sua cidade” (9,1);
  • Que segue enfatizando o “caminhar”: a vida de discipulado é, precisamente, isso, e que, em consequência, é preciso evitar a paralisia, que impede movimentar-se no seguimento de Jesus.

O milagre de Jesus em Gadara, onde mandou, ao abismo, a impureza, simbolizada nos porcos, fundamentou esta nova cena onde Jesus, não só perdoa pecados, mas capacita para reorientar a vida com um novo vigor, mantido por sua palavra.  Ao final, também as reações do povo serão diferentes.

 

  1. Jesus e o paralítico

 

A ênfase de nossa passagem está na conexão que se dá entre as duas frases que Jesus dirige no paralítico no começo e ao final da cena.

  • A primeira frase de Jesus ao paralítico: “Ânimo, filho, teus pecados de te são perdoados (9,2), é uma declaração. Pelo poder da palavra de Jesus este homem já ficou perdoado.
  • A segunda frase de Jesus ao homem, Levanta-te, toma tua cama e vai para casa” (9,6), é uma ordem. Pelos imperativos pronunciados o paralítico faz três gestos significativos.

 

Notemos como a cura se expressa em termos de ressurreição: um pôr-se em pé e caminhar. Além do mais todo o movimento que se descreve é o de um homem novo pela força do Evangelho de Jesus: alguém que constrói seu próprio projeto histórico no mundo, partindo de sua identidade pessoal e de seu entorno familiar, deixando-se orientar – enquanto discípulo – pela instrução de Jesus.

  1. Jesus e seus críticos

 

Na cena aparecem os escribas fazendo uma conclusão negativa das palavras iniciais de Jesus: “Este está blasfemando” (9,3).

A sentença é breve, mas, categórica. Os escribas, que se limitam a chamar Jesus, simplesmente, de “este”, declaram que Jesus está se atribuindo funções que não o competem, e, pior, que ofendem a Deus porque usurpam seus exclusivos poderes (no Evangelho de Marcos se é mais específico: “Quem pode perdoar pecados senão só Deus?”, Mc 2,7).

 

Jesus, que “conhece seus pensamentos” (9,4ª), assim como “viu” também a fé dos portadores da cama e do paralítico (9,2b), sai à frente da crítica antes de continuar com o milagre.

Primeiro convida os escribas a rever sua atitude negativa: “Por que pensais mal em vossos corações?” (9,4b). Estes têm pensamentos malévolos contrários a Jesus. Em seguida, Jesus vai ao núcleo do assunto, dando uma lição positiva: a conexão que há entre a paralisia e o pecado. Jesus esclarece dois pontos:

  • Seu “poder” sobre a terra, enquanto “Filho do homem

A incapacidade dos escribas para reconhecer a novidade absoluta de Jesus, enquanto enviado de Deus, que realiza, por seu ministério, a salvação do mal do mundo, os coloca ao nível da cidade pagã gadarena, que rejeitou Jesus na cena anterior (8,28-34) e, ao mesmo tempo, muito longe da grande atitude de fé do centurião pagão que se submeteu ao poder da palavra de Jesus (8,5-13).

  • Todo perdão é uma cura

O sentido dos milagres de Jesus se expressa bem neste: se bem que são sinais da misericórdia do Senhor (8,16-17), não se trata de simples favores que faz às pessoas para aliviar suas dores, mas autêntica recuperação do homem inteiro e, portanto, experiência de vida nova que se concretiza em uma nova dinâmica no projeto de vida, assim como se vê claramente nos passos do paralítico curado.

Desde o começo do Evangelho de Mateus, Jesus tem sido apresentado com estas palavras: “Tu lhe porás o nome Jesus, porque Ele salvará a seu povo de seus pecados” (1,21).

Nesta primeira cena de perdão do Evangelho de Mateus se revela para que veio Jesus e qual o alcance de seu poder messiânico.

O perdão de Deus se manifesta no poder de Jesus que vai até o fundo da miséria humana para curar suas paralisias e fazer brotar dali a força da vida e o compromisso.

  1. A cidade e Jesus: o salto qualitativo da fé e o ministério do perdão

Duas cidades aparecem confrontadas nesta parte do Evangelho de Mateus:

  • a cidade pagã na região de Gadara (8,34) que pediu a Jesus que se fosse; e,
  • a cidade de Jesus (se subentende Cafarnaúm, 4,13) onde um grupo acolhe com fé, levando um enfermo, sem fazer-lhe, sequer, um pedido (9,2ª), e onde, ao final, o povo “temeu e glorificou a Deus, que havia dado tal poder aos homens” (9,8).

“Temer” e “glorificar a Deus” são sinais de que se viu mais além do milagre, de que se entrou no mistério de Deus, revelado em Jesus: “O povo que habitava em trevas viu uma grande luz” (Is 9,1; citado por Mt 3,16). Os escribas, que estão fechados em seus pensamentos malévolos, ainda parecem incapazes deste conhecimento próprio da fé.

Acerca da última frase “que havia dado tal poder aos homens” (9,8b), na qual chama a atenção o plural “homens” (indicação de que não se refere somente a Jesus), a Bíblia de Jerusalém comenta: Mateus pensa, sem dúvida, nos ministros da Igreja, que receberam este poder do Cristo (18,18). Na comunidade dos discípulos, o perdão de Jesus segue vigente como força de vida que regenera e põe os passos de todos nas rotas do Evangelho.

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Por que a cura do paralítico se põe em termos de ressurreição? Que relação tem com o perdão?
  • Os escribas duvidaram do poder de Jesus para perdoar os pecados.

E eu, duvido também ou creio firmemente em seu poder para perdoar? Como o manifesto?

  • O perdão que dou a meu irmão é prolongação do perdão que me oferece Jesus? Na comunidade que vivemos, que gestos concretos vemos de perdão? Que podemos fazer para oferecer com mais frequencia o perdão e assim experimentar o gozo da ação de Deus em nossas vidas?

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SEXTA-FEIRA

João 20,24-29

O CAMINHO DA FÉ DO APÓSTOLO.

“Não sejas incrédulo, mas homem de fé”

 

Hoje celebramos a festa do apóstolo Tomé. É boa ocasião para tomar consciência de que nossa fé é apostólica. Com isto queremos dizer que nossa fé está cimentada sobre a fé pascal dos doze.

 

Junto com eles não só proclamamos a mesma fé em Jesus como o Cristo morto e ressuscitado por nossa salvação, mas que também recorremos ao itinerário que os levou a fazer esta proclamação. O caminho da fé dos apóstolos nos Evangelhos é modelo a percorrer hoje. Para João, por exemplo, é claro que com essa finalidade se redatou o Evangelho (20,21: “para que creiais”).

 

No texto hoje, observando as pegadas que deixou o processo de fé do apóstolo Tomé. Aprendemos como um discípulo chega à fé, ainda que em meio à sombra da dúvida. Acerca de Tomé, João nos dá alguns detalhes de sua identidade: seu nome próprio, sua pertença ao grupo dos doze e o sobrenome com o qual o chamavam carinhosamente dentro da comunidade (o “dídimo”, Jo 11,16).

 

Ao longo do Evangelho de João, o apóstolo Tomé não é nenhum desconhecido, já que aparece em dois momentos chave:

  • No relato da ressurreição de Lázaro é Tomé que lidera o grupo medroso para que siga Jesus até Jerusalém: “vamos também nós morrer com Ele” (11,16).
  • Na cena de despedida, Tomé tomou a palavra em nome de toda a comunidade para perguntar ao Mestre: “Se não sabemos aonde vai, como poderemos saber o caminho?”, ao qual Jesus lhe responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (14,5-6).

Notemos agora como este discípulo teve coragem de arriscar-se no caminho da Cruz e entendeu que essa era a via para chegar ao Pai.

 

Ele avança progressivamente para a fé pascal mediante o encontro vivo com o Mestre:

  • A iniciativa parte do próprio Jesus: a fé é um dom que provém d’Ele, de sua vontade amorosa de que o encontremos;
  • Jesus aparece no oitavo dia da ressurreição: a expressão nos recorda as liturgias comunitárias da Igreja primitiva. O encontro com Jesus está mediado tanto pela comunidade como pela disciplina de reunião periódica que gera laços de união a todos os níveis;
  • O fato que Jesus se coloque no meio da comunidade, indica que Ele é seu centro, seu Senhor. É em torno a Jesus que a comunidade dialoga, dinamiza sua vida e organiza seus projetos;
  • Na comunidade ressoa o kerigma que anuncia a fé da Igreja: “Temos visto o Senhor”;
  • A experiência do Ressuscitado se realiza no contato com sua realidade. O importante é que “toquem” as cicatrizes da crucifixão (cravos, lança), isto é, os sinais de seu amor, de sua entrega. Ali onde a dor há sido vencida, estas feridas agora estão curadas.

 

Partindo da realidade da Cruz, agora tocada e experimentada nesta etapa que é a vida da Igreja, descobrimos o Senhor vivo e proclamamos nossa fé. O caminho da fé de Tomé, que vai de incrédulo a crente (20,29), deve mover-nos a rever o caminho de nossa experiência pessoal e comunitária do Senhor, a quem já não vemos fisicamente, mas falamos como Senhor Ressuscitado, pelas mediações que o Evangelho de hoje nos ensina.

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Quais os três momentos chaves onde aparece no Evangelho à figura de Tomé? Por que os podemos considerar momentos chaves?
  • Na vida de nossa família, grupo, comunidade, experimentamos momentos difíceis de luta, de sofrimento e ainda de dúvida. Há crescido ou há diminuído nossa fé?
  • Tomé pode encontrar-se com o ressuscitado ao unir-se ao grupo dos apóstolos. Qual é para mim o grupo ou comunidade que me oferece o Senhor como mediação para encontrar-me com Ele?

SÁBADO

Mateus 9,14-17

O NOVO COM O NOVO.

O vinho novo se lança em odres novos

 

Um grupo dos discípulos de João, atraídos talvez pela forma de ser e atuar de Jesus e seus discípulos, perguntam: “Por que nós e os fariseus jejuamos enquanto teus discípulos não?” (v.14).

 

Uma pergunta que desde o início soa como comparação: Nós sim – eles não. Aqui se estabelece o conflito, por assim dizer. Provavelmente eles haviam presenciado o banquete ao qual haviam participado Jesus e os seus na casa de Mateus. Para eles a pergunta era óbvia.

 

Jesus, no entanto, não deu uma série de explicações do porque sim ou do porque não. Simplesmente por toda resposta lança a sua vez uma pergunta: “Podem os convidados à boda estarem tristes enquanto o noivo está com eles?” (v.15).

 

Se quiséssemos ‘traduzir’ com nossas palavras, mais ou menos soaria: “Podem meus discípulos estarem tristes enquanto eu estou com eles?”

 

Aos discípulos de João era difícil entender esta expressão, pois estavam apegados a suas tradições, à velha mentalidade. João estava com eles preparando o caminho ao Senhor e exortando-os a fazê-lo mediante jejuns e penitências. Jesus, em troca era o Senhor, estava com eles e deviam alegrar-se.

 

Jesus, sem dúvida, deixa entrever que, mais adiante, já não desfrutarão de sua presença e então sim jejuarão. Este é como um primeiro anúncio de sua paixão.

 

Jesus aprofunda e usa duas parábolas tomadas da vida diária e cheias de um grande sentido comum:

 

  • Ninguém usa um pedaço de pano novo para remendar um vestido velho, porque …” (v. 16). remendar o velho não vai funcionar. O remendo novo vai fazer que o rasgo seja ainda maior, não tanto porque o remendo não sirva, mas, o que não serve é o vestido velho.

 

  • A segunda comparação é tomada do mundo agrícola, dos modos de fermentação do vinho. Isto se fazia em sacos de couro chamados odres, nos quais se punha o vinho para envelhecer.

 

  • Este processo fazia que os odres envelhecessem junto com o vinho, e não serviam para usar uma segunda vez, pois Concluímos: É muito lógico. Por mais que o remendo novo seja de pano de alta qualidade, se com ele se pretende o processo era longo e o couro não resistia, se arrebentava, levando a perder também o vinho.

 

Jesus estava dizendo claramente que a nova mensagem que Ele trazia não se podia depositar em corações velhos, aprisionados por antigas tradições e costumes, pois estes não resistiam toda a carga de novidade que sua Palavra trazia e provavelmente se destruiriam, perdendo-se também a mensagem.

 

Aprofundando com os Padres da Igreja

São Bernardo (1091-1153), monge de Cister e doutor da Igreja.

 

“Então jejuarão”

 

Porque é que o jejum de Cristo não é comum entre os cristãos? Porque é que os membros não seguem a Cabeça? (Cl 1,18). Se recebemos os bens da Cabeça, não suportaremos os males? Queremos rejeitar sua tristeza e participar da sua alegria? Se é assim, mostramo-nos indignos de ser corpo desta Cabeça.

Pois tudo que ele sofreu, foi por nós. Se nos repugna colaborar na obra da nossa salvação, em que mostraremos suas ajudas? Jejuar com Cristo é pouca coisa para o que deve sentar-se com ele à mesa do Pai. Feliz o membro que tiver aderido em tudo a esta Cabeça e a tiver seguido por onde quer que ela tenha ido

(Ap 14,4). Por sua vez, se ele vier a ser cortado e separado, será imediatamente privado do sopro da vida… Para mim, aderir completamente a ti é um bem, ó Cabeça gloriosa e bendita por todos os séculos, sobre a

qual os anjos também se inclinam com cobiça (1 Pd 1,12). Seguir-te-ei por onde quer que fores.

Se passares pelo fogo, não me separarei de ti, e não temerei nenhum mal, porque tu estás comigo (Sl 22,4). Tu carregas as minhas dores e sofres por mim. Tu, primeiro, passaste pela estreita passagem do sofrimento para abrires grande entrada aos membros que te seguem. Quem nos separará do amor de Cristo? (Rm 8,35)… Este amor é o perfume que desce da cabeça sobre a barba, que desce também sobre a gola da veste, para olear até o menor fio (Sl 132,2). Na Cabeça encontra-se a plenitude das graças, e dela recebemos tudo.

Na Cabeça está toda a misericórdia, na Cabeça o excesso dos perfumes espirituais, como está escrito: “Deus

te ungiu com o óleo da alegria” (Sl 44,8)… E nós, que é que o Evangelho nos pede no início desta Quaresma? “Tu, diz ele, quando jejuares, perfuma a cabeça” (Mt 6,17).  Admirável condescendência!

O Espírito do Senhor está sobre ele, ungiu-o (Lc 4,18), e, contudo, para evangelizar os pobres, ele diz-lhes: “Perfuma a tua cabeça”.

 

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Que nos quis dizer Jesus com as duas parábolas do remendo e dos odres?
  • Que fazemos em nossa comunidade, família, grupo, para sermos estes odres novos que ajudam

o vinho novo da mensagem de Jesus impregnar em nós, em nossos ambientes e nos transforme?

  • Que sentimos que nos pede o Senhor a respeito? Que nos comprometemos a fazer?

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