Estudo semanal de 15 à 19 de maio

TERÇA-FEIRA

João 17,1-11a

A ORAÇÃO DO BOM PASTOR (I)

“Elevando os olhos ao céu disse…”

 

Nestes últimos dias do tempo pascal lemos na liturgia da Igreja o discurso de despedida de Jesus, o qual culmina com a monumental oração – chamada “sacerdotal”- de Jesus.

 

Uma síntese do caminho

 

Com seus discursos de despedida (Jo 14-16), Jesus foi preparando pouco a pouco seus discípulos para que entendessem e para que enfrentassem a separação.

 

Sua morte e sua ressurreição marcavam um giro profundo na maneira de viver as relações com Ele, o discipulado já não consistia em estar junto com Ele, mas viver n’Ele, como enfatiza em seu discurso: “Eu em vós e vós em mim.”

 

Tudo o que Jesus tem ensinado a seus discípulos no âmbito da última ceia e ao longo do trajeto para o jardim no qual se realizará a prisão, tem sido uma expressão de seu amor, de seu real interesse pela vida pascal de seus discípulos.

 

Jesus tem expressado seu mais profundo desejo: quer que, superando a tristeza e a perturbação interior, vivam o gozo da Páscoa em que a comunhão com Ele se converte em um cântico de vitória que nada no mundo poderá tirar.

 

Jesus quer que sigam pelo caminho reto, pelas rotas da história, e eles cheguem à meta que é a perfeita união com Deus Pai e com Ele, no vínculo de amor do Espírito Santo.

 

Esta maravilhosa oração, que faz ponte entre o discurso da ceia e sua agonia nas sombras do jardim, é uma oração tão extensa quanto intensa, carregada de profundas emoções.

 

A de João 17 é uma oração em que não só se abrem os braços, mas o coração em que o olhar abarca não só os discípulos aí presentes, mas que atravessa todos os séculos da história, abraçando a todos que escutam e vivem sua Palavra em qualquer lugar e em qualquer tempo.

 

Aprofundemos com os nossos pais na fé

 

Orígenes (cerca 185-253), presbítero e teólogo

 

Comentário de S. João

 

“Ninguém lhe punha a mão em cima porque ainda não chegara a sua hora“

 

Procurar Jesus é, muitas vezes, um bem, porque procurar o Verbo, a verdade e a sabedoria, é a

mesma coisa. Mas ireis dizer que as palavras “procurar Jesus” por vezes são pronunciadas a

propósito daqueles que lhe querem mal. Por exemplo: “procuravam agarrá-lo, mas ninguém

lhe punha a mão em cima, porque ainda não chegara a sua hora ”… Ele sabe de quem se afasta

e junto de quem fica sem ser ainda encontrado, a fim de que, se o procurarem, o encontrem no

tempo favorável. O apóstolo Paulo diz aos que ainda não possuem Jesus e não o contemplam:

«Não digais no vosso coração: ‘Quem subirá ao céu?’, para fazer descer Cristo; ou então:

‘Quem descerá ao abismo?’, para fazer Cristo subir dentre os mortos. Mas que diz a Escritura?

‘Perto de ti está a palavra, na tua boca e no teu coração’» (Rm 10, 6-8).

No seu amor pelos homens, quando o Salvador diz: «Haveis de procurar-me» (Jo 8,21), faz

entrever as coisas do Reino de Deus para os que o procuram, não o procurando fora de si

próprios , dizendo: ‘Ei-lo aqui’, ou ainda, ‘ali’. O Evangelho diz-lhes: «O Reino de Deus está

dentro de vós» (Cl 17,21). Por muito tempo que guardemos a semente da verdade depositada

na nossa alma e os seus mandamentos, o Verbo não se afasta de nós. Mas, se o mal se espalha

em nós para nos corromper, Jesus diz-nos: «Eu vou-me embora: vós haveis de procurar-me e

morrereis no vosso pecado».

 

Contemplemos o rosto de Jesus nessa noite

 

O texto não nos descreve, porém temos elementos para reconstruir sua atitude nesta passagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUARTA-FEIRA

João 17,11b-19

A ORAÇÃO DO BOM PASTOR (II).

“Cuidar em teu nome os que me tens dado”

 

  1. O contexto da oração de Jesus

 

É noite, véspera da Páscoa, que é a festa da lua cheia, de maneira que o rosto de Jesus se vê resplandecer, sob a luz intensa da lua, no momento de sua oração. Pelo tom de suas palavras notamos sua ternura e sua pressa de bom pastor.

 

E esse amor profundo e o sentido de responsabilidade, que em diversas ocasiões manifestou por seus discípulos (Jo 10,27-30), o notamos também agora em sua oração com o olhar cravado no Pai que é a fonte de sua vida, de sua missão, de seu amor capaz de ir até a entrega extrema.

 

Jesus ora em voz alta, que também o escutem seus discípulos, lhes dá permissão para que conheçam seu coração orante, para que compartilhem sua intensa relação com o Pai e para que saibam o que quer deles.

 

Jesus ora em voz alta, para que sua oração se prolongue em nossa própria oração. Por esta razão, a oração de Jesus em Jo 17 é uma verdadeira escola de oração que, além de “oração sacerdotal”, também podemos chamar: “a oração do Bom Pastor”.

 

As ovelhas “escutam sua voz” e o seguem em sintonia com seu coração, fazendo eco na história à voz, às atitudes e compromissos revelados em sua oração.

 

  1. Como Jesus ora

 

A oração de Jesus em  Jo 17, se desenvolve em três círculos, que são relacionais: primeiro se centra na pessoa e na missão de Jesus com relação ao Pai, logo depois na relação de Jesus com os onze discípulos que ficam – sob a luz do amor do Pai -, e finalmente na relação de Jesus e sua comunidade com os discípulos que ingressarão à comunidade nos tempos futuro, entrando na família do Pai.

 

Em cada etapa da oração vai entrando novos personagens, temas e súplicas que -cumulativamente- confluem e se inter-relacionam até criar um conjunto único e tridimensional no qual o mundo inteiro é relido desde o telão de fundo da obra salvífica de Deus. E aí dentro, cada um de nós ocupa um lugar.

 

Observemos os três movimentos da oração de Jesus:

  • Jo 17,1-5: Jesus ora por sua própria glorificação, de maneira que possa cumprir a obra que iniciou com seus discípulos;
  • Jo 17,6-19: Jesus ora pela comunidade que tem formado. Os vv.6-10: Faz memória a tarefa realizada até esse momento, e o fato de ter sido acolhido por seus discípulos, vv.11-19: Pede ao Pai que proteja, em seu nome, os discípulos e que os santifique na verdade;
  • Jo 17, 20-26: Jesus ora pelo futuro da evangelização, por todos os que acreditarão na pregação apostólica e, finalmente, pelas futuras comunidades, cuja plenitude será sua comunhão de vida com o Pai.

 

Aprofundemos com os nossos pais na fé

 

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja

 

«Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo.»

 

Escutai todos, juízes e gentios…; escutai, todos os reinos da terra! Eu não impeço o vosso domínio sobre este mundo, «o meu Reino não é deste mundo» (Jn 18,36). Não temais, pois, com esse temor insensato que se apoderou de Herodes quando lhe anunciaram o meu nascimento… Não, diz o Salvador, «o meu Reino não é deste mundo». Vinde todos a um Reino que não é deste mundo»; vinde a ele pela fé; que o temor não vos torne cruéis. É verdade que, numa profecia, o Filho de Deus falando de Seu Pai diz: «Por Ele, fui estabelecido rei sobre Sião, sua montanha sagrada» (Sl. 2,6). Mas esta Sião e esta montanha não são deste mundo. O que é, portanto, o seu Reino? São aqueles que crêem n’Ele, aqueles a quem Ele diz: «Vós não sois do mundo, como Eu não sou do mundo ». E, contudo, Ele quer que estejam no mundo e ora a seu Pai: «Eu não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal», pois Ele não disse: «O meu Reino não está neste mundo», mas sim: «Ele não é deste mundo; se ele fos se deste mundo, os meus vassalos viriam combater para que eu não fosse preso» (Jo 18,36). De fato, o seu Reino está verdadeiramente aqui na terra até ao fim do mundo; até à ceifa o joio está misturado com o bom grão (Mt 13, 24)… O seu Reino não é daqui, porque Ele écomo um peregrino neste mundo. Àqueles sobre quem reina, diz: «Vós não sois do mundo, porque eu vos escolhi do meio do mundo» (Jo 15,19). Portanto, eles eram deste mundo quando ainda não eram o Seu Reino e pertenciam ao príncipe deste mundo (Jo 12,13)… Todos aqueles que são da raça de Adão pecador, pertencem a este mundo. «Deus arrancou-nos verdadeiramente do poder das trevas e transferiu-nos para o Reino de Seu Filho muito amado» (Col l, l3)       

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

Sugerimos fazer uma primeira leitura de todo o capítulo, sublinhando os imperativos, os termos carregados de sentido, as insistências, as pessoas que estão no passado, no presente e no futuro, e finalmente a ordem – ou “momentos”- em que se desenvolve a oração; além do mais, procurar “sentir” o texto, a força de suas palavras e seus impulsos

 

 

 

QUINTA-FEIRA

João 17,20-26:

A ORAÇÃO DO BOM PASTOR (III).

“Quero que onde Eu esteja também estejam comigo”

 

Na última seção de sua oração, Jesus ora em palavras que alcançam à totalidade da Igreja e abraça a todos os crentes de todos os tempos, incluindo a nós.

 

Esta parte da oração de Jesus está centrada em três petições. Jesus ora para que:

  • os discípulos gozem a unidade e esta unidade evangelize o mundo (17,20-23);
  • os discípulos possam chegar à contemplação da glória de Jesus na amizade eterna (17,24);
  • Os discípulos vivam habitados pelo amor de Jesus e seja transparência dele no mundo (17,25-26).

 

O amor sempre pede união e esta união pede eternidade. Por isso quando dois amantes declaram o amor geralmente se dizem “para sempre”. Isto é o que Jesus ora na segunda parte de sua oração por todos os discípulos da história. Ora ao futuro do amor, o futuro da relação de discipulado. Que profundidade, que alcance tem os temas que Jesus vai expondo nesta magnífica oração! Aqui Jesus disse que seus discípulos, não sozinhos, mas em comunidade, estarão sempre com Ele.

 

Recordemos o capítulo 14 de João, o que deu origem aos últimos ensinos de Jesus, foi precisamente o fato iminente da separação, o “Eu me vou” de Jesus. Em Filipenses 4,17, Paulo anunciou a sua comunidade seu destino final: “assim estaremos  com o Senhor para sempre”. Estar com o Senhor, aqui na palidez do tempo presente e logo no Céu, é nossa meta. A razão de ser disto, disse Jesus em sua oração, é “para que contemplem minha glória”.

 

Há um texto de 1Jo 3,2 que nos ajuda a interpretar isto da contemplação da glória: “Quando o virmos, seremos semelhantes a Ele”. Isto é contemplar a glória: ser como Ele. E esta glória que contemplamos é algo que nós atualmente experimentamos.

 

Em Jo 1,14 se disse que “o Verbo se fez carne… e contemplamos sua glória”. Contemplamos a glória no Verbo encarnado, no rosto humano de Jesus, que não é outra coisa que o rosto divino que nós estamos chamados a ter. Deixemos que a força da oração de Jesus ilumine nosso coração com esta esperança: “Pai os que tu tens me dado, quero que, onde Eu esteja, estejam também, para que contemplem minha glória”.  Não há nada mais belo que estar junto com Jesus.

 

Esta promessa nos tem acompanhando ao longo de todo este tempo pascal, com a leitura de João (12,26). Também foi essa a convicção com que começou o capítulo 14, onde Jesus propôs a imagem da casa (14,3). Com estas palavras luminosas, começa e também termina o grande adeus do Mestre.

 

Deixemos que a oração de Jesus impregne a nossa: “Senhor, hoje sinto desejo de estar contigo e de ver-Te. Sei que um dia meu coração Te contemplará para sempre. Estará sempre em Tua presença e Te amará apaixonadamente em todas as coisas. Chegará um tempo em que não respirarei, não pensarei e não me moverei, porém eu sei que respirarei, pensarei e sentirei teu amor”. Amém.

 

Aprofundemos com os nossos pais na fé

 

São João Paulo II, Ut unum sint

 

“Que eles sejam um para que o mundo creia que Tu me enviaste”

 

Não podemos esquecer que o Senhor pediu ao Pai a unidade dos seus discípulos a fim de que

ela desse testemunho da sua missão e que o mundo pudesse acreditar que o Pai o tinha enviado.

Pode-se dizer que o movimento ecumênico se iniciou, num certo sentido, a partir da experiência negativa daqueles que, anunciando um único Evangelho, pertenciam cada um à sua própria Igreja

ou à sua Comunidade eclesial. Uma tal contradição não podia passar despercebida àqueles que escutavam a mensagem da salvação e que viam ali um obstáculo ao acolhimento do anúncio evangélico. Infelizmente, esta grave dificuldade ainda não foi ultrapassada; é verdade que ainda não estamos em plena comunhão. E, contudo, apesar das nossas divisões, estamos todos a percorrer o caminho da unidade plena, da unidade que caracterizava a Igreja apostólica nos seus alvores e que nós procuramos com sinceridade: guiada pela fé, a nossa oração em comum é a prova disso. Na oração, reunimo-nos em nome de Cristo que é Um. Ele é a nossa Unidade.    

 

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

  1. Que me inspira a oração de Jesus?

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Que sentimentos provocam em mim?

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  1. Qual é o maior desejo de duas pessoas que se amam?

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Qual é o desejo de Jesus para seus discípulos?

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  1. Que pediu para minha família, para minha comunidade, para meus amigos?

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SEXTA-FEIRA

João 21,15-19

A CONFISSÃO DE AMOR:

“Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo”

 

Todo o itinerário bíblico da Páscoa vem oscilando entre a confissão de fé e a confissão de amor. Esta confissão é fruto da Páscoa em nós.

 

Hoje chegamos ao último capítulo do Evangelho de João e nos encontramos com a tríplice confissão de amor de Pedro (“Tu sabes que te amo”), depois do milagre da pesca abundante no lago e o convite –por parte de Jesus- para partilhar o pão e o peixe.

 

Justo nesta hora começa um diálogo entre Jesus e Pedro. Três perguntas: “Me amas?”; três respostas: “Tu sabes que te amo”; três mandatos por parte de Jesus: “Apascenta minhas ovelhas”.

 

É importante notar que não há repetições, as perguntas e respostas não são sempre idênticas. Por exemplo, o vocabulário do amor: “amar”, “querer”.

 

Com suas perguntas, Jesus quer saber de Pedro: “Ainda estás disposto a dar tua vida por mim?”, “Todavia queres ser meu amigo?”.

 

  1. Jesus dá uma nova oportunidade a Pedro

 

O que surpreende é que Jesus permanece fiel a Pedro. E isto, apesar de Pedro ter sido infiel à promessa que fez ao Mestre de não traí-lo nunca, ainda que a fidelidade lhe custasse à vida.

 

Com a tríplice pergunta, Jesus dá Pedro à possibilidade de reparar sua tríplice negação durante a paixão. Deus dá a todos, sempre uma segunda oportunidade.

 

Inclusive nos dá uma terceira, uma quarta e até infinitas possibilidades. O Senhor não apaga alguém de seu coração com o primeiro erro. Será que nós somos assim com os demais?

 

  1. Pedro surge como um homem novo

 

Mas, que acontece no íntimo deste diálogo em que Jesus e Pedro se reconciliam, e isto é o ponto de partida do pastoreio amoroso de Pedro na Igreja? confiança e o perdão do Mestre fazem de Pedro uma pessoa nova, forte, fiel até a morte.

 

A fortaleza interior de Pedro, expressada em sua confissão de amor, o capacitam para ser Pastor da Igreja. O que virá em seguida para Pedro não será fácil: deverá pastorear a grei de Jesus nos momentos difíceis (todo início é difícil).

Tocará a Pedro, acompanhar o caminhar de uma Igreja da Palestina a uma Igreja das nações, e enfrentar as resistências que acontecem ao interior da comunidade para que aconteça a abertura desejada pelo Espírito Santo.

 

O que segue na vida de Pedro não é nada fácil, porém a confissão de amor daquela manhã depois de estar com o Ressuscitado, esse “tu sabes que te amo” agora se manterá em pé, a fidelidade será possível, e com esta atitude chegará até o final de sua vida: até o momento glorioso de dar sua vida por Cristo.

 

O amor do Crucificado, infundido pela presença do Ressuscitado em seu coração, dará a Pedro a capacidade de cumprir sua promessa de dar a vida por Jesus (21,19).

 

Se aprendêssemos a lição contida nisto que Jesus fez por Pedro, se nos interessássemos por voltar a confiar em alguém que tem se equivocado, que nos fez algo feio, que nos tem traído, que não se fez presente quando mais necessitávamos, nossa convivência familiar e comunitária seria mais feliz.

 

  1. Um amor que “apascenta” responsavelmente:

 

O diálogo entre Jesus e Pedro tem a ver com a vida de cada um de nós. Santo Agostinho, comentando este texto diz:

 

“Interrogando Pedro, Jesus também interroga cada um de nós.

A pergunta: “Amas-me? ”dirige-se a todo discípulo. 

O cristianismo não é um conjunto de doutrinas e práticas; é uma realidade muito íntima e profunda. 

É uma relação de amizade com a pessoa de Jesus.

Muitas vezes durante sua vida terrena, Jesus perguntava as pessoas: Tens fé?

Mas nunca até então havia perguntado a ninguém: “Amas-me?”.

Jesus só o faz agora, depois de sua paixão e morte, nos tem dado a prova do quanto nos tem amado.

Porém, tenhamos cuidado: Jesus pede que o amor por Ele se concretize no serviço aos demais. 

Amar consiste em servir. 

“Amas-me? Então, apascenta minhas ovelhas”. 

Amas a teu esposo(a)? Então ocupa-te dele (a).

Amas teus irmãos de comunidade de fé? Então começa servir-lhes.

É bonito ver como Jesus não quer ser o único em receber os frutos do amor de Pedro, mas quer que se beneficiem suas ovelhas. 

Jesus é o destinatário do amor de Pedro, mas não é o beneficiário. 

É como se dissesse: “Considero como algo feito a mim, tudo o que faças pelo rebanho”.

 

Nosso amor por Jesus não deve ficar em um feito intimista e sentimental, deve se expressar no serviço aos outros, no fazer o bem ao próximo. Madre Teresa de Calcutá dizia: “O fruto do amor é o serviço desinteressado e o fruto de um serviço assim é a paz”.

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

 

  • Que tamanho é meu amor por Jesus? Que estaria disposto a fazer por Ele?

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  • Pedro pode fazer esta confissão de amor só depois da morte de Jesus, quando foi, plenamente

amado. Que pode manter minha fidelidade no amor?

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  • É verdadeiro amor ocupar-se das ovelhas. Quem eu tenho esquecido? De quem ocupar-me mais?

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SÁBADO

João 21,20-25:

UMA CONFRONTAÇÃO ENTRE PEDRO E O DISCÍPULO AMADO.

“Tu, segue-me”

 

A última passagem do Evangelho de João dá a Jesus a ocasião para pronunciar pela última vez o imperativo da vocação: “Tu, segue-me” (21,22;1,43;21,19).

 

O contexto da passagem não dá a Pedro a melhor imagem, visto que se trata de uma confrontação com o discípulo amado.

 

Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, e este…?” (21,21), “o que será dele?”.  O apóstolo a quem Jesus tem dado a entender que seu destino é o martírio (ver 21,18-19), quer saber qual será o destino de seu companheiro.

 

A resposta de Jesus é dura (21,22ª). Como entender esta reação?  Antes como um convite a não comparar-se com os demais: Jesus tem um caminho para cada um e ninguém é melhor nem pior.

 

Pertence à soberana liberdade de Jesus indicar o caminho do seguimento a cada um. Cada discípulo é convidado a apreciar e respeitar o itinerário do outro.

 

O “Tu, segue-me” é, então, a norma de vida do discípulo: seu olhar está sempre no Mestre e, desde aí, acolhe também o amor e estilo de relação que tem com todos os discípulos.

 

No “Tu, segue-me”, Pedro é chamado para fazer o que Jesus lhe peça – como, por exemplo, o martírio – sem importar se não pede aos demais. É aqui onde a pureza de coração alcança seu mais alto grau.

 

As palavras finais do evangelista (21,24-25) mostram que a obra de Jesus é infinitamente grande, que sempre nos ultrapassa: ainda quando cremos conhecer o Evangelho, sempre há novidades, há surpresas.  Nem sequer o próprio João, o apóstolo do Verbo Encarnado, foi capaz de esgotar o que é o Mistério de Deus.

 

A profunda humildade que aprende Pedro nesta cena do Evangelho é também a profunda humildade do evangelista, que fecha sua obra sabendo que Jesus sempre lhe supera.

 

Uma atitude que leva finalmente à confiança, porque sabemos que, por uma parte, o “testemunho é verdadeiro” (21,24), e por outra, que o Ressuscitado estará sempre ai realizando as promessas que o evangelista nos fez contemplar.

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

  • Comparo-me com outras pessoas?

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Vejo-me em vantagem ou desvantagem com relação aos outros?

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  • Estou disposto a fazer o que o Senhor me pede, mesmo que não peça o mesmo aos outros?

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  • Com que atitude acaba João seu Evangelho?

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Que diz isto sobre a experiência de Jesus Ressuscitado?

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