ESTUDO SEMANAL DE 23 A 28 DE ABRIL

 4ª Semana da Páscoa – Ano B

Autor: Padre Fidel Oñoro, CJM

SEGUNDA-FEIRA

João 10,1-10

A MARCA REGISTRADA DO PASTOR

“Eu sou a porta das ovelhas”

 

Alguns pontos sobre o “Pastor” 

 

“Pastor” indica relação. Para que entendamos a importância que tem na Bíblia o tema do Pastor, é bom ver um pouco o contexto. Os beduínos do deserto nos dão uma ideia do que era a vida cotidiana nas tribos de Israel: nesta sociedade, a relação pastor e rebanho não é só de tipo econômico, baseada no interesse, no proveito que possa tirar das ovelhas para sobreviver com sua família: a lã, o leite, deliciosos assados, vender quando precisa dinheiro, etc. Em outras palavras não é uma relação esta reconhece e distingue, entre todas, a voz de seu pastor, que fala com ela com freqüência.

 

Na historia da revelação aparece com frequência esta imagem

 

Precisamente porque a relação entre o Pastor e suas ovelhas representava uma das relações mais estreitas que se podia observar no cotidiano dum israelita, se explica por que Deus utiliza este símbolo para expressar sua relação com seu povo eleito e toda a humanidade. Um dos Salmos mais belos fala segurança do orante em Deus seu Pastor: “O Senhor é meu pastor, nada me falta” (23,1).

 

Mas isto vale também para as relações humanas, dai que na Bíblia o título de pastor também se lê, por extensão, também a todos aqueles que imitam o zelo, a dedicação de Deus pelo bem estar de seu povo. Por isso aos reis nos tempos bíblicos se chama pastores, igualmente aos sacerdotes e em geral a todos os líderes do povo.

 

Nesta ordem de idéias, quando um profeta como Ezequiel se refere aos líderes do povo, os chama pastores, mas já não para referir-se à imagem que deveriam projetar, de segurança, proteção, mas ao que realmente são: líderes irresponsáveis que chegam, inclusive, até a delinqüência para tirar vantagem de sua posição mediante a exploração e a opressão.

É assim como ao lado da imagem do bom pastor aparece também a do mau pastor ou do mercenário. Em Ezequiel, 34, encontramos um juízo tremendo contra os maus pastores que apascentam somente a si mesmos e por isso vemos que Deus, ele mesmo, decide ocupar-se pessoalmente de seu rebanho: “Aqui estou; eu mesmo cuidarei de meu rebanho e velarei por ele” (Ez 34,11).

 

A grande responsabilidade de um pastor: a vida da ovelha

 

O critério para distinguir o bom e mau pastor era seu sentido da responsabilidade. O Pastor na Palestina era totalmente responsável pelas ovelhas: se algo acontecia a uma delas, ele tinha que demonstrar que não havia sido por culpa sua. Observemos rapidamente algumas citações impressionantes:

  • “Como salva o pastor da boca do leão duas patas ou a ponta de uma orelha, assim se salvarão os filhos de Israel”. O pastor deve salvar tudo o que possa de sua ovelha, nem que sejam as patas ou a ponta da orelha de sua ovelha (Am 3,12).
  • “Se um homem entrega a outro uma ovelha ou qualquer outro animal para sua custodia, e estes morrem ou sofrem dano ou são roubados sem que ninguém o veja… terá que restituir”. Neste caso o pastor terá que jurar que não foi por culpa sua (v.10) e trazer uma prova de que a ovelha não havia morrido por culpa sua e de que ele não teve como evitar (Ex 22,9.13).

 

Enfim, o pastor se dá todo por suas ovelhas, ainda combatendo tenazmente contra as feras selvagens, fazendo gala de todo seu vigor e inclusive expondo sua vida, como vemos que fez Davi de maneira heroica com as suas: “Quando teu servo estava guardando o rebanho de seu pai e vinha o leão ou o urso e levava uma ovelha do rebanho, ele saía atrás, lhe golpeava e a arrancava de sua goela, o sujeitava pelo queijo e o golpeava até matá-lo” (1 Sm17,34-35).

 

A excelência do Pastor: um amor que vivifica

 

Tudo que vimos anteriormente é o que Deus faz com os seus. Os orantes bíblicos, como o faz notar o Sl 23, encontravam na imagem de Deus-Pastor seu verdadeiro rosto: seu amor, seu zelo e sua dedicação por eles. Em Deus encontraram sua confiança para as provas da vida. Eles tinham na mente e no coração esta convicção: “Como um pastor bom, Deus se dá todo por mim”. Tinham a certeza de que Deus sempre estava cuidando e combatendo por eles. Assim dizia Is: 31,4. Em Ezequiel, já mencionado, vemos que nada foge ao compromisso e amor de Deus-Pastor: “Buscarei a ovelha perdida, tomarei a desgarrada, curarei a ferida, confortarei a enferma” (Ez 34,16).

 

  1. 3. Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

 

  • Que pastores têm me pastoreado? Por que lhes devo gratidão?
  • Que caracteriza os cuidados que Jesus oferece como “Bom Pastor”? Tento ordenar a Jesus o que me deve dar? Deixo-me guiar por Ele?
  • Que quer dizer a frase “Eu sou a Porta”?

Quais as lições do Evangelho de hoje para minha vida como responsável de uma comunidade, grupo ou de uma família?

TERÇA-FEIRA

João 10,22-30

NAS MÃOS SEGURAS DO BOM PASTOR:

“Ninguém pode arrebatar nada das mãos do Pai”

 

Vejamos primeiro o contexto da passagem.  Após a belíssima catequese sobre o “Bom Pastor” (Jo 10,1-18) e da reação dos ouvintes (10,19-21), o evangelista nos situa de novo em Jerusalém, em tempo de inverno, no marco da festa judia da “Dedicação do Templo” (que ocorre no mês de dezembro). Jesus está passeando pelo pórtico de Salomão (10,23). Então um grupo de judeus se coloca em volta de Jesus e exige uma resposta clara e aberta sobre se Ele é ou não o Messias (ou o “Cristo”; 10,24).

 

Jesus não lhes dá a resposta que esperam: um sim ou um não. De fato, o termo “Cristo” (=Messias) pode encaixar muitas idéias e expectativas, por isso não se pode responder tão facilmente com monossílabos. De todos os modos Jesus responde e, em seu discurso, vai além do que lhe pedem.

 

Jesus aborda uma vez mais o tema do Pastor. A imagem de pastor fala da qualidade das relações e do conteúdo delas; fala do que, do porque e do para que de uma relação; fala de tudo o que alguém pode e deve fazer por outro para oferecer-lhe bem estar e qualidade de vida. Por isso a imagem é perfeita para falar da relação entre Jesus e nós. Quem quer saber, definitivamente, quem é Ele, qual é sua realidade mais profunda, deve contemplar suas atitudes e ações de Pastor.

                                                               

  1. Jesus se conhece melhor contemplando seu rosto de “Pastor”: Quem és Tu em minha vida?

 

Jesus não descreve a si mesmo com termos abstratos, mas de modo concreto, com ações verificáveis: “As obras que faço em nome de meu Pai são as que dão testemunho de mim” (10,25). Na observação atenta de ações de Jesus descobrimos o sentido de sua presença no mundo e como tudo o que faz provém de uma relação de base, fundante, entre Ele e Deus Pai.

 

E Jesus pronuncia em seguida um discurso em que a lista dos verbos retoma o conteúdo mais profundo de suas “obras”. Nos verbos enunciados por Jesus vemos como Aquele que veio ao mundo como “Verbo Encarnado” dá a conhecer sua identidade. Estes verbos são: “conhecer”; “dar” (vida); não deixar “arrebatar” da mão (= “proteger”, “oferecer segurança” no perigo); e “ser um”, quer dizer, atrair para a comunhão total na unidade de vida, de projeto e de ação.

 

Todos estes na realidade são variantes do grande verbo: “Amar. Nestes verbos se descobre o enorme significado de Jesus para nossas vidas, neles se diz com clareza de que forma é o “Cristo” (=Messias) para nós e o que podemos esperar que aconteça no encontro com Ele.

 

Jesus é o Pastor enamorado de suas ovelhas e completamente entregue a elas. Seu imenso amor ilumina, resgata, purifica e dilata o nosso. Ao vê-lo assim, entendemos que nossa vida necessita d’Ele.

 

Pondo atenção ao que Jesus “faz” por nós, toma impulso então o caminho da fé, a dinâmica do “crer”, que é o da relação cada vez mais profunda, estreita e amorosa com Jesus, uma relação tão viva e tão significativa, como a que se dá entre um pastor e sua ovelha.

 

Se invertemos de negativas a positivas as frases que marcam os vv.25.26 notaremos que está se dizendo que “crer” é “fazer-se ovelha” de Jesus. O movimento do “crer” se especifica nos versículos que lemos hoje, nos seguintes verbos: (a) “escutar” a voz de Jesus; (b) “seguir” a direção do Pastor; (c) descobrir-se a si mesmo como “dom” do Pai a Jesus.

 

Somamos então sete verbos chaves da relação com Jesus, os quais podem ser visualizados e captados, com todos os toques de ternura que entranham, mediante a contemplação da relação de um pastor com suas ovelhas.

 

Não se deve perder de vista a pergunta feita inicialmente. Ao longo da leitura orante desta passagem também somos convidados a interrogar Jesus: Quem és tu para mim? Que fazes por mim? Quais os indicadores de que tu és meu “Cristo”? Para compreender sua resposta devemos, antes de tudo, deixá-lo falar e escutar atentamente seu ensinamento. Em sua resposta nos mostra quem Ele é verdadeiramente, como está presente em nossa vida e que podemos esperar d’Ele com segurança.

 

  1. A belíssima dinâmica da relação entre Jesus e “os seus”

 

Como se acaba de indicar, as palavras de Jesus em João 10,27-30, tendo como fundo a preciosa imagem do pastoreio das ovelhas, se centram todas elas na descrição da relação entre Ele e todas as pessoas que lhe pertencem, isto é, todos aqueles que tem entrado no caminho da fé, confiando n’Ele suas vidas. Notemos as três primeiras características da relação com Jesus:

 

  • Minhas ovelhas escutam minha voz… e me seguem” (10,27)

 

As duas ações que caracterizam um discípulo de Jesus são (a) a escuta do Mestre; e (b) o exercício do seguimento, mediante a obediência à Palavra. Porém é interessante ler esta frase desde a perspectiva de Jesus. Jesus fala de “minhas” ovelhas. Os disse em primeira pessoa. As ovelhas são d’Ele, o Pai as há dado e Ele as cuida com amor responsável.  Dizer que as ovelhas são “suas” implica muito.

 

Estas “minhas ovelhas”, que logo se voltam “me” (seguem), é como uma pequena janela que nos descobre o amplo panorama do estilo do Pastor: Jesus, como bom pastor, a quem o Pai lhe tem confiado suas ovelhas, vive toda sua missão, com uma dedicação gratuita e incondicional, disposto a oferecer a própria vida; disposto a enfrentar a morte, a expor-se em primeira pessoa, para salvar suas ovelhinhas; disposto a tomar sobre seus ombros o mal e as feridas provocadas pelos lobos para impedir que as ovelhas sejam raptadas ao Pai.

 

  • Eu as conheço… Eu lhes dou vida eterna” (10,27-28ª)

 

Para Jesus não somos números em meio a uma grande massa de gente, não! Jesus nos identifica claramente no cálido âmbito de uma grande familiaridade: conhece nossa historia, nossas dificuldades, defeitos e todas as características de nossa personalidade. Porque nos conhece nos aceita como somos, nos quer, ainda mais (10,14-15), e nos introduz dentro da relação mais profunda que habita seu coração: a amizade com o Pai. Esta amizade é eterna. Nela nos oferece uma “vida eterna”.

 

Dai deriva o sentido de responsabilidade própria do verdadeiro pastor: Jesus está próximo de suas ovelhas, com atenção, paciência, delicadeza, com dedicação incansável até o dom total de si mesmo na Cruz, para que as ovelhas tenham vida.

 

  • “(Minhas ovelhas) não perecerão e ninguém as arrebatará de minhas mãos” (10,28)

 

Nenhum dos que entram neste tipo de relação com Jesus se perderá nem poderá ser arrebatado da mão de Jesus, porque Ele é o Bom Pastor. Quando há amor ninguém quer morrer, ao contrário: o amor pede eternidade. A relação com Jesus dá vida e segurança.

 

  1. É preciso corresponder ao amor: a necessária reciprocidade

 

Na descrição da relação entre Jesus e os seus pode-se ver que:

  • a iniciativa é de Jesus: Ele tem falado e agido primeiro;
  • que Jesus trata a relação mediante a atração, mediante o chamado, não há uma superioridade ou dominação que force a amar ou a ir contra a vontade; e
  • que Jesus busca, inclusive, quem fecha as portas ao seu amor, como, de fato, acontece nesta passagem, com seus inimigos que lhe interrogam.

 

O amor de Jesus Pastor nos ultrapassa. Mas, também é verdade que a relação não se trava: se as partes interessadas não se reconhecem entre si; se não se aprovam e se recebem mutuamente. Por isso é importante nossa resposta. De Jesus Pastor não se vive só recebendo passivamente as provas de seu amor, se requer uma resposta ativa de nossa parte

 

Entramos em comunhão com o Bom Pastor se o “escutamos” e “seguimos”, se o abandonar-nos em suas mãos é docilidade para viver seu querer. Para que Jesus seja realmente nosso Pastor temos que deixá-lo: que nos guie; que nos indique a direção, o “caminho reto” de que fala o Sl 23,3; e que este novo horizonte purifique nossas motivações e desejos, de modo que nosso maior sonho seja o alcançar a plenitude, a realização de nosso ser, que provém da comunhão eterna com Ele.

 

  1. O Bom Pastor nos leva dentro d’Ele. Uma profunda comunhão: “Ninguém as arrebatará de minha mão” (10,29)

 

As palavras de Jesus sobre o “Bom Pastor” focam finamente nosso olhar para o futuro. De fato, os verbos de Jesus Pastor, nos vv.27-28 vão progredindo do presente para o futuro.

 

Jesus já havia dito: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundancia” (10,10). Agora Jesus mostra a contundência da afirmação: “Ninguém as arrebatará de minhas…” (10,29). Com isto Jesus nos assegura que nenhum ser humano, nem, sequer, com todo o carinho que nos tenha, nem com todos os cuidados que nos dedique, poderia prometer-nos: (a) a vida eterna; (b) a proteção de todo mal; e (c) a comunhão indestrutível.

 

  • Primeira promessa: o dom de uma vida para sempre

 

Para que possamos ajudar-nos entre nós a condição é que estejamos vivos; de fato, quando o ser amado morre já não se pode fazer nada por Ele. A relação com Jesus é diferente: para Ele não existe esse limite cruel da morte que nos deixa impotentes para dar a mão a quem amamos. Poderá haver algo maior que isto? Os cuidados de Jesus Pastor rompem a barreira do tempo: a finalidade última, o ponto culminante de seu ser Pastor por nós é dar-nos “vida eterna”.

 

  • Segunda promessa: um amor que guarda o amado de todo perigo

 

Isto vale também para nossa relação com Ele no presente. Desde agora nossa vida está em mãos seguras e sua proteção é mais forte que todas as forças do mal que trazem ruína e destruição. Se Jesus nos protege, não podemos perder-nos, nada pode vencer sua mão protetora estendida sobre nós. E mais: todos os sinais de seu amor no presente são uma degustação primeira de tudo o que quer fazer por nós sem fim, na vida submergida definitivamente com Ele na eternidade.

 

Assim entendemos sua resposta à pergunta inicial sobre se Jesus é “o Cristo”. Por suposto que sim e de que modo! Sua vida inteira está em função da nossa. Jesus não é qualquer pessoa e por isso não nos pode ser indiferente. Jesus vive um papel decisivo para dar sentido a nossa vida e para o gozo de nossa realização pessoal. Jesus não é um personagem frio ou indiferente, senão alguém que nos busca, nos conhece, nos ama apaixonadamente e faz por nós o que nenhum outro poderia fazer.

 

Por isso temos que purificar nosso conceito d’Ele: Jesus não é um Messias de bens terrenos -se bem que sua providencia nunca falta- nem um Messias de esplendor e poder – ainda que sua gloria seja infinita –, Jesus é o Pastor que nos convida a viver uma relação intensa, profunda e estável com Ele. Se isso está claro, então estamos prontos para abordar a terceira promessa do Pastor: a comunhão indestrutível. Nela se detém os versículos 29-30, que vamos considerar em seguida.

  1. Por trás de tudo está o Pai: “Ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai” (10,29)

 

Jesus nunca se apresenta como uma pessoa solitária, ao contrário: se mostra sempre como uma pessoa amada e capaz de amar; Jesus sempre está gerando e animando relações. Se olhamos com atenção o evangelho notaremos em seguida que Jesus aparece continuamente inquieto por falar-nos de sua relação com o Pai e por nos demonstrar todo o “fazer” eficiente, salvífico e vivificante que provém desta relação. O amor fundante entre o Pai e o Filho se concretiza em obras vivificantes pela humanidade.

 

A comunhão de Jesus com seus discípulos deriva da relação primeira com o Pai e está resguardada, em última instância, pelo poder do Pai. Examinando os vv.29-30, vemos que Jesus diz:

  • O Pai “me tem dado” (esta é uma forma concreta do amor do Pai por Ele: todo discípulo está no amor do Pai por Jesus);
  • O Pai é “maior que todos”; O que está em mãos do Pai está seguro: “ninguém pode arrebatar nada”;
  • O Pai e Jesus são “um”.

 

Nestas frases se descreve o vínculo de amor mais forte e sólido que jamais poderá existir. Ninguém é mais poderoso que Deus Pai e Jesus Pastor está sustentado pelo poder e o amor deste Pai com quem é “um”: “Eu e o Pai somos um” (10,30).

 

Jesus e o Pai são “um” em suas intenções e ação. Portanto o amor de Jesus e seus discípulos está sustentado por esta indestrutível unidade. Jesus anuncia esta Boa Nova a seus discípulos com o símbolo muito significativo da “mão” que acolhe, sustenta e protege.

 

Assim é a mão potente e terna  do Pai Criador. Nossa amizade com Jesus se beneficia do amor poderoso de Jesus para com o Pai. Assim o pastoreio de Jesus tem garantia: podemos confiar n’Ele porque sob sua direção gozaremos a meta da nossa vida. O futuro de nossa vida não é distinto do futuro de nosso amor.

 

Mas isto não só vale para nossa relação com Jesus. Todo discípulo aprenderá a ser pastor de seus irmãos, prolongando esta identificação de amor e de obra que caracteriza a relação do Pai com Jesus e de Jesus com os seus. Somos chamados, em todas nossas relações, a inspirar segurança e confiança.

 

Desta forma teremos a deseja comunhão, a unidade (como a do Pai e o Filho), que cumula de sentido cada segundo de nosso tempo, que é capaz de vencer o mal que ameaça e acaba com as relações mais belas, que é capaz –inclusive- de “pastorear” o amor até traspassar as barreiras da morte e prolongar indefinidamente na eternidade.

 

 

Conclusão

 

 

A voz amorosa do Pastor se sente hoje com toda sua intensidade na força das palavras que pronuncia no Evangelho. Sua voz quer seduzir-nos profundamente e atrair-nos para Ele. Sua voz seguirá ressoando durante todo este tempo pascal, porque o Ressuscitado está agora no meio de nós realizando tudo o que seu amor nos promete.

 

Quem ama promete e cumpre. Mas a diferença de nosso amor e nossas promessas deficientes, as de Jesus tem fundamento e garantia: seu amor e sua promessa já se fizeram realidade em seu Mistério Pascal, sua morte e ressurreição por amor a nós. O que se deve fazer é tratar de compreender a Cruz Pascal de Jesus, Cruz luminosa do Bom Pastor que deu sua vida por nós.  Eis aí como nossa esperança já mostra sinais de realização.

 

O Evangelho quer nos impregnar de uma renovada confiança em Deus. Jesus é o Pastor Ressuscitado que não deixa de dizer-nos: “Os tenho dito estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo tereis tribulação. Porém ânimo! Eu tenho vencido o mundo” (Jo 16,33). Assim, protegidos por Jesus, o Bom Pastor, estamos seguros na mão de Deus, que está acima de tudo.

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

O evangelho do Bom Pastor não só nos dá a Boa Noticia de que Jesus Ressuscitado está e caminha sempre a nosso lado, mas aprofunda esta experiência: convida-nos a descobrir tudo que sua presença viva está realizando em nós e tudo que seguirá fazendo daqui em diante para que tenhamos “vida em abundancia”. Por isso demo-nos um tempo amplo de meditação e oração, “saboreando” com calma e amor todas as palavras do evangelho de hoje, e respondamos:

 

  • Quem é Jesus para mim? Que me disse a imagem do “Pastor”? Que sentimentos suscita em mim a imagem de Jesus Pastor?
  • É grande minha confiança em Jesus? Sinto-me seguro? Sou capaz de abandonar-me completamente em suas mãos? Que me pede Jesus? Que significa “seguir” a Jesus Pastor? De que forma vou fazer
  • Todo bom pastor deve ser segurança para os seus. Considero-me “bom pastor” a todas as pessoas que estão sob minha responsabilidade? Como transpareço o rosto de Jesus Pastor na liderança dentro de minha comunidade de fé e de amor e nos outros âmbitos onde exerço responsabilidade? Em que aspecto devo crescer?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUARTA-FEIRA

HOJE É DIA DE SÃO MARCOS EVANGELISTA (Mc 16,15-20)

 

QUINTA-FEIRA

João 13,16-20

SENTAR-SE NA MESA COM JESUS IMPLICA IDENTIFICAR-SE COM ELE.

“Quem acolhe ao que Eu enviei a mim acolhe”

 

Começamos a leitura da segunda parte do Evangelho de João, a qual leremos quase em sua totalidade (as passagens que não aparecerem, já foram lidas nas semanas anteriores). Hoje nos situamos na mesa da última ceia de Jesus com seus discípulos.

 

Esta mesa é linguagem eloquente de “comunhão”. Em torno a ela Jesus vai falar de suas relações: com o Pai, com os discípulos, com seus adversários. Todos os discursos que vamos abordar se referem ao como tecer relação com Jesus, como avançar em seu amor.

 

O fato de, ao redor da mesa, estar os doze, é um modo de chamar a atenção dos animadores de comunidades. A tarefa principal de um pastor é a animação das relações de cada um de seus irmãos:

  • com Deus (o crescimento na fé); e
  • dos irmãos entre si (a vida comunitária mediada pela caridade e o serviço).

 

As primeiras expressões das instruções de Jesus aos seus discípulos estão no discurso silencioso, porém, eloqüente, do lava-pés: o Mestre lhes disse de que tipo é a relação que Ele tem com os seus.

 

Jesus define sua relação a partir do serviço, porém, não o serviço frio de quem, simplesmente, cumpre funções, mas o serviço que “purifica” o outro pela força do amor e “entranha” (de forma batismal: o mergulha) em sua própria existência.

 

A partir deste momento, nas palavras seguintes de Jesus, começam a aparecer os termos da mutua vinculação dos discípulos com Ele e entre eles:

  • O “serviço”. As relações na comunidade se definem a partir do lava-pés (13,15-17;
  • O “conhecimento”. Jesus “conhece” a quem tem elegeu (13,18a). As relações se aprofundam e se fazem sólidas pela rota deste conhecimento.
  • O ser um para o outro “rosto” de Cristo, assim como Jesus é o “rosto” do Pai (13,20)

 

Mas, não falta o contraste que faz, todavia, mais luminosa a mensagem. Justo no meio do ensinamento se menciona o traidor: aquele que teceu relações mentirosas dentro da comunidade (por isso a citação do Sl 41,10).

 

A sinceridade na relação é essencial para que esta seja fonte de crescimento e não de dor. Ao citar o Salmo 41,10 (“O que come meu pão levantou contra mim o calcanhar”) Jesus se reveste da figura de um inocente perseguido. Abrir-nos a uma relação é fazer-nos vulneráveis. Será o risco que correrá Jesus e que o levará, finalmente, à morte.

 

Porém em sua incrível humildade, Jesus não se retrai ante o mistério do fingimento e da traição humana (porque se faz mais dano a quem melhor se conhece); mas, pelo contrário, consegue entrar por esta fratura da mesquinhez humana, na situação que tem vindo redimir. Por isso em meio à traição se revela a grandeza do “Eu Sou” (13,19).

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

Começa a leitura pascal mais profunda: o discurso de despedida de Jesus (Jo 13-17). O texto de hoje nos prepara para a escuta deste texto imenso (e todos os sentidos).

  • Por que a Bíblia dá tanta importância à “mesa” e à “ceia”? Quais são os espaços que hoje privilegiamos para nos relacionarmos?
  • Quais são as características de uma relação “à maneira de Jesus”?
  • Por que se menciona a traição de Judas? Sobre que me adverte?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SEXTA-FEIRA

João 14,1-6

JESUS RESSUSCITADO NOS CONVIDA À SUA CASA

“Voltarei e os levarei comigo, para que onde eu estiver estejais também vós”

 

Começamos uma nova etapa em nosso itinerário bíblico, a última em nosso caminhar pascal. A partir de hoje, leremos uma das partes mais belas do evangelho de João: o “discurso de despedida de Jesus” que se encontra nos capítulos 14 a 17 deste evangelho.

 

Do rosto do pastor enamorado que lava os pés de seus discípulos e come com eles a sua última ceia pascal, em que instituí a sagrada Eucaristia, passamos agora à descrição viva de seu amor pelos seus e à exposição ampla da maneira como é tecida uma profunda relação. Estamos diante de um discurso de Jesus extenso, porém profundo e emocionante.

 

O contexto

 

Para entender melhor o texto entremos brevemente na situação.  Jesus anunciou a seus discípulos que se vai e que a comunhão de vida, a amizade vivida por três anos entre eles chega ao fim com a morte na cruz, já não o verão (visivelmente aos olhos humanos, a não ser quando ele queira se manifestar).

 

A nostalgia surge, então, como um sentimento cruel que aperta a garganta.  A primeira reação dos discípulos deixa entrever o que pensam eles: o seguimento estreito do mestre, a amizade saborosa com ele, não havia sido mais que algo passageiro que vai ficar apenas como uma bela lembrança, uma vez que a morte se interpõe no meio do amor e separa para sempre aquele que amaram tão intensamente.

 

Por isso, na hora da despedida, em meio às lágrimas, tratando de aproveitar, com intensidade, os últimos instantes que lhes restam juntos, as palavras de despedida vão se convertendo, pouco a pouco, em palavras de consolação. Jesus explica a seus amigos que não se separará deles para sempre, mas que sua separação inicia uma dimensão importante na vida de seu discipulado.

 

Não se trata de um fim, mas de uma mudança importante e decisiva na maneira de segui-lo. Esta mudança tem como finalidade a criação de laços de amor ainda mais fortes, profundos e indestrutíveis que os anteriores. A passagem de hoje nos introduz de cheio neste tema.

Detenhamo-nos em três pontos principais do texto:

 

(1) Confiar no Mestre: Jesus começa com palavras fortes (14,1).

 

Não se perturbe vosso coração” (14,1ª): O termo “perturbação” é eloquente. Para entendê-lo relembremos a passagem da morte e ressurreição de Lázaro, onde se diz que diante da tumba de seu amigo querido, Jesus “se comoveu interiormente, se perturbou” (11,33) e, em seguida, chorou.

 

Esta perturbação é a sensação prévia às lágrimas, é uma comoção profunda, é um abalo no espírito, por isso se diz “do coração”. É uma sensação mórbida, desoladora.  É isso que sentimos com a partida dos seres que amamos. “Crede em Deus, crede também em mim” (14,1b): Seguir vivendo sem o amado é como morrer.

 

Diante desse sentir-se sem apoio, Jesus os oferece um ponto de segurança: não será visto mais fisicamente, por isso dá uma pista importante: assim como Deus não é visível aos olhos mortais, também Ele não será.

 

Em outras palavras, assim como alguém crê em Deus a quem não vê, assim também deve crer nele enquanto Senhor ressuscitado. Jesus e o Pai estão no mesmo nível.

 

O primeiro passo a dar, então, é o da fé como atitude fundamental, com a qual os discípulos devem enfrentar a separação: “crede!”. A Jesus e ao Pai devemos o mesmo tributo de fé, porque o Pai se deixa conhecer através do Filho e atua em comunhão inseparável com o Filho.

 

Ao “não ver”, os discípulos deverão apoiar-se com uma confiança ilimitada no Pai e no Filho, construindo tudo sobre eles, sobre o piso sólido de sua comunhão eterna.  É nessa comunhão eterna que os discípulos agora devem pôr o olhar da fé que dá sentido às suas vidas.

 

(2) Contemplar o Mistério Pascal

 

Este novo modo de comunhão é dom de Jesus.  Por isso Jesus pede a seguir que contemplem sua obra pascal: “E na casa de meu Pai há muitas moradas… (14,2-3).

 

Não é Jesus arrumando um quarto, mas construindo uma casa, assim como os que se amam constroem uma casa para viver juntos.

 

Vemos tres pistas importantes:

 

  • Para Jesus, a morte é um retorno à casa do Pai (ver também 13,1). Desta maneira, exaltado e glorificado, ele estará para sempre na comunhão perfeita com o Pai.

 

  • Jesus havia explicado sua morte e sua ressurreição desde o começo do Evangelho na expulsão dos vendedores do Templo dizendo que destruiria aquele construído por homens e o reconstruiria em três dias (observa o evangelista: dizia isso, referindo-se ao seu próprio corpo. Então Jesus ressuscitado é a nova construção, o novo Templo no qual se “habita” em Deus.

 

  • Jesus não é um templo vazio: Ele vem, toma consigo aqueles que se lançaram numa profunda relação com ele e os leva à comunhão eterna consigo e com o Pai. A Páscoa de Jesus foi a preparação da “morada”.

 

(3) Fazer o caminho para entrar na “casa”

 

Porém, o dom de Jesus, que se acaba de descrever, pede nossa participação, nosso compromisso.

 

E isso é o que Jesus quer dizer com a imagem do “caminho”. É preciso pôr-se em movimento pelo caminho que é Ele mesmo: suas palavras, suas obras, tudo o que supõe a convivência amiga com ele. Isto é o que os discípulos já aprenderam na convivência terrena com ele (14,6).

 

Trata-se de um caminho que conduz à verdade e à vida, quer dizer, ao conhecimento pleno do mistério de Deus e cujo fundo é seu rosto paterno.

 

O caminho conduz, não só a um conhecimento, mas, também, a uma relação com este Deus descoberto em sua tremenda proximidade do Pai, uma relação que gera uma união, na qual se gera uma vida eterna.

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração

 

  • De que sentem medo os discípulos? Qual é a raiz de meus temores?
  • Que relação há entre a Páscoa de Jesus e a preparação da morada no céu?
  • É Jesus ressuscitado o “mundo vital” em que quero habitar eternamente?

Que temos que fazer para entrar na “morada” de Jesus?

 

 

 

 

SÁBADO

João 14,7-14

UM ANSIOSO DESEJO:

“Mostra-nos o Pai e nos basta!”

 

  1. Uma ansiosa busca: Ver o rosto do “Pai”

 

“Mostra-nos o Pai e nos basta!”, disse o discípulo Felipe a Jesus, justo no coração dos discursos de adeus do evangelho de João (14,8).  É como dizer: “já está bom de sinais, de mistérios, não nos agrada mais o desenlace de tua revelação. O que queremos é chegar à verdade completa e em seguida levar ao desfecho final que não deixa nenhuma dúvida nem obscuridade”.

 

Aquele Pai, que Felipe deseja conhecer com todo seu ser, é o máximo da felicidade, da proteção, da ternura, do cumprimento. Isso o tem captado na maneira como Jesus se refere a seu Pai: o chama Abbá na oração, com um grande sentimento de intimidade e de ternura.

 

Porém, infelizmente, muitos filhos adultos oram este “Mostra-nos o Pai”, porém tratando de passar por alto qualquer mediação. São filhos que carregam fortes desilusões com seus pais e suas mães terrenas. Muitos, inclusive, arrastam grandes feridas do passado na família: marcas dolorosas que lhe hão gerado inconsistências e sérios problemas em suas vivencias afetivas já na idade adulta.

 

E por isso algumas pessoas, inclusive têm dificuldade para recitar o “Pai Nosso”. O termo “Pai” lhes é amargo. A propósito, não esqueçamos que a figura do Pai na Bíblia, que é o gerador de vida por excelência, contém tanto o aspecto materno como paterno.  Segundo a Bíblia, Deus “Pai” não é uma projeção das paternidades terrenas.

 

É a paternidade de Deus é uma revelação que vem do alto e que purifica as más experiências terrenas. Há uma tentação na vida espiritual: passar por alto os sinais incertos e pouco decifráveis da carta que Deus Pai nos dirige através de nossos próprios pais; teríamos gostado mais que nos tivesse chegado uma mensagem completa, perfeita, revelação total da paternidade divina.

 

  1. A resposta de Jesus

 

Que responde Jesus frente a este ponto? Como responde frente ao desejo profundo e legítimo de seus discípulos de ver de cara a esse Pai de quem Jesus fala tanto e a quem ora com tanto amor?  Jesus lhes responde com algo de tristeza: “Tanto tempo que estou convosco e não me conheces Felipe? Quem me vê, vê o Pai. Como dizes tu: ‘Mostra-nos o Pai?” (14,9).

 

É preciso deixar-se surpreender: ver a Jesus significa ver o Pai. É claro, no evangelho de João, que não é tanto um ver físico senão intuir o mistério da pessoa de Jesus que nos mostra o Pai. Mas Jesus disse ainda mais.

 

Trás, o discípulo, à realidade, para que não se perda em abstrações: “O que crê em mim, fará também as obras que Eu faço, e fará maiores ainda, porque Eu vou ao Pai” (14,12). Jesus acabara de dizer: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (14,11). E a prova eram as obras: “O Pai que permanece em mim é o que realiza estas obras” (14,10b).

 

Pois bem, o mesmo esquema vale também para o discípulo: quem vê as obras de um discípulo de Jesus vê a Jesus que mostra o Pai através da cotidianidade de qualquer um de nós. Tudo isto é possível graças a uma ausência: ao fato de que Jesus já esteja habitando junto do Pai, que não é senão outro modo de sua presença.

 

Uma presença que será captada aceitando seu mistério através dos sinais. Assim, nós cristãos, temos uma responsabilidade seria que é a de mostrar uns aos outros o rosto de Deus Pai através de nosso “fazer”, através das obras que realizamos todos os dias.

 

  1. Palavras que lhe dá uma nova visão à vida de família

 

O desejo de ver o Pai, que manifestou Felipe, o podemos encontrar através de nossos pais terrenos: é preciso saber reconhecê-lo através deles, não importa que tenha alguma outra sombra que ainda não tenhamos compreendido na historia de nossas relações familiares. É importante que deixemos que nossos pais sejam sinal da paternidade de Deus, para qual há de vê-los por cima de nossas expectativas e  deixando de lado nossos juízos.

 

Antes de julgar dizendo talvez que não fomos suficiente amados como filhos, que não recebemos o que merecíamos, o que deve ser feito é uma aproximação aos pais com um respeito infinito e valorizar mais seus esforços. Para entrar nesse âmbito, primeiro tem que renunciar à agressividade e as reclamações.

 

Então se verá que através deles tem se manifestado o Pai. É como se repetissem as palavras de Jesus: “Quem me vê, vê o Pai”.  Veremos os brilhos, não sempre evidentes, do rosto do Pai neles.

 

Explicamos com uma história

                  

Aconteceu a um filho que até os 40 anos havia repetido a seus familiares e amigos e, inclusive, havia contado ao seu primeiro filho pequeno que não amava seu pai, com certo ressentimento. A todos fazia sentir que não havia sido amado. Porém, um dia recordou-se de um epsódio que havia ficado guardado no coração. Seu pai, que parava pouco em casa e que, quando chegava, era bêbado, um belo dia, um dia de chuva, o carregou e pôs seus pés sobre seus próprios sapatos – enormes para o menino – para ajudá-lo a atravessar o charco de lama fria, e assim cruzar a rua. E foi o calor daquela mão que lhe acariciava a nuca que se converteu para ele no sinal da presença de Deus.

 

Cultivemos a semente da palavra no profundo do coração 

 

  • Que provoca em mim a oração de Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai e nos basta”?
  • A revisão das relações com Jesus, no âmbito da última ceia, que outras relações fundamentais de minha historia pessoal me pede também que examine?
  • Como se é “Pai” e “Mãe” na escola de Jesus?

 

“Meu espelho deve ser Maria.

Visto que sou sua filha, devo parecer-me com ela.

E, assim, me parecerei com Jesus!”

(Santa Teresa de los Andes)

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