Obedecer como Maria (N. S. do Carmo – EFC)
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A história de Nossa Senhora do Carmo está profundamente ligada à Ordem do Carmo, uma ordem religiosa fundada no século XII no Monte Carmelo, na Palestina. O monte é um lugar sagrado desde os tempos do profeta Elias, que viveu lá como eremita. Inspirados por ele, um grupo de monges cristãos também passou a viver em oração e contemplação nesse local, formando a base da futura Ordem Carmelita.
Aparição e o Escapulário
Segundo a tradição carmelita, em 16 de julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock, um superior da ordem, na Inglaterra. Nessa visão, Maria lhe entregou o escapulário do Carmo, um pequeno pedaço de tecido marrom usado sobre os ombros, como sinal de proteção e pertença à ordem.
Ela teria dito:
“Recebe, meu filho, este escapulário da tua Ordem. Será um sinal da minha proteção para ti e para todos os carmelitas. Quem morrer com ele não padecerá no fogo eterno.”
Esse presente de Maria foi interpretado como um sinal especial de salvação e proteção para os devotos que usam o escapulário com fé e vivem uma vida cristã coerente.
Devoção
A devoção a Nossa Senhora do Carmo se espalhou rapidamente pela Europa e, mais tarde, pelo mundo inteiro, especialmente na América Latina. Ela é considerada a Padroeira dos Carmelitas e também é invocada como protetora das almas do purgatório.
Celebração
A festa de Nossa Senhora do Carmo é celebrada no dia 16 de julho, data que recorda a aparição a São Simão Stock.
EVANGELHO
Reflexão: A Verdadeira Família de Jesus – Obedecer como Maria
Evangelho: Mateus 12,46-50
Enquanto Jesus falava às multidões, avisaram-lhe que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, querendo falar com Ele. Então Jesus respondeu:
“Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”
E, apontando para os discípulos, declarou:
“Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
À primeira vista, essa palavra de Jesus pode parecer dura, como se Ele estivesse diminuindo a importância de Maria e de sua família. Mas acontece exatamente o contrário. Jesus está revelando o que torna alguém verdadeiramente próximo d’Ele: a obediência à vontade do Pai.
Maria é a primeira e mais perfeita integrante dessa família espiritual. Ela não é bem-aventurada apenas porque gerou Jesus em seu ventre, mas porque acreditou, acolheu e viveu a Palavra de Deus. Quando o anjo anunciou o plano divino, Maria respondeu:
“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Nessa resposta está o segredo da verdadeira família de Jesus. Maria tornou-se Mãe do Salvador porque antes se fez serva obediente. Seu coração foi o primeiro lugar onde Cristo habitou.
O Evangelho de hoje nos convida a perguntar: o que nos faz realmente pertencer a Jesus? Não é apenas frequentar a Igreja, usar símbolos religiosos ou conhecer as orações. Pertencemos a Jesus quando ouvimos sua Palavra e procuramos colocá-la em prática.
Cada vez que escolhemos o perdão em vez do ressentimento, a verdade em vez da mentira, a caridade em vez do egoísmo, estamos vivendo como membros da família de Cristo. Cada gesto de fidelidade ao Evangelho nos aproxima do coração de Jesus.
Maria continua sendo nosso modelo. Ela guardava a Palavra no coração, meditava sobre ela e permanecia fiel mesmo nos momentos mais difíceis, até aos pés da cruz. Obedecer como Maria não significa compreender tudo imediatamente, mas confiar em Deus e dizer diariamente:
“Senhor, faça-se em mim a tua vontade.”
Hoje, Jesus estende a mão para cada um de nós e nos convida a entrar em sua família. A porta de entrada é a mesma que Maria escolheu: a escuta obediente da vontade do Pai.
Que Nossa Senhora nos ensine a acolher a Palavra, a vivê-la com coragem e a sermos, de fato, irmãos e irmãs de Jesus.
Amém.

