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Porque seguimos Jesus? (EFC)

Evangelho (Jo 6,22-29)

O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma cena muito humana e, ao mesmo tempo, profundamente espiritual: uma multidão inquieta, em movimento, atravessando o mar à procura de Jesus. Não é uma busca qualquer: é uma busca marcada pela experiência recente do milagre, pela memória do pão multiplicado, pela satisfação imediata de uma necessidade.

Mas Jesus, como sempre, vai além da superfície.

Ele desmonta a motivação da multidão com uma verdade desconcertante: “vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados.” Aqui está o primeiro ponto de reflexão: nem toda busca por Deus é, de fato, um encontro com Deus. Muitas vezes, buscamos aquilo que Ele pode nos dar, e não quem Ele é.

1. A ambiguidade da busca humana

A multidão não está errada em procurar Jesus. Pelo contrário, há algo de belo nesse movimento. O problema está na intenção. Eles viram o milagre, mas não compreenderam o sinal. O pão multiplicado apontava para algo maior: Jesus como o verdadeiro alimento, aquele que sacia não apenas a fome do corpo, mas a fome mais profunda da alma.

Essa tensão continua atual. Quantas vezes a fé se reduz a uma busca por soluções imediatas: cura, prosperidade, alívio, respostas rápidas? Tudo isso pode fazer parte da experiência de fé, mas não é o centro.

Jesus não se deixa instrumentalizar.

2. O convite à maturidade espiritual

Quando Ele diz: “Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna”, Ele está propondo uma mudança de horizonte.

Não se trata de abandonar as necessidades humanas — Jesus mesmo alimentou a multidão —, mas de não parar nelas. O alimento que perece é tudo aquilo que passa: bens, reconhecimento, segurança material. O alimento que permanece é a comunhão com Deus, a vida em Cristo, a fé que transforma o coração.

Aqui há um chamado exigente: crescer na fé. Sair de uma religiosidade baseada no interesse para uma relação baseada na confiança e no amor.

3. A pergunta decisiva: o que devemos fazer?

A multidão então faz a pergunta certa: “Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?”

A resposta de Jesus é surpreendentemente simples e, ao mesmo tempo, profundamente desafiadora:
“A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou.”

Ou seja, tudo começa na fé.

Mas não uma fé teórica ou superficial. Trata-se de uma adesão total à pessoa de Jesus. Crer é confiar, é entregar-se, é permitir que Ele seja o centro da vida. É reconhecer que Ele é o verdadeiro alimento, o sentido último da existência.

4. Aplicação prática: por que seguimos Jesus?

O Evangelho nos obriga a uma pergunta direta, quase incômoda:
Por que eu sigo Jesus?

  • Por aquilo que Ele pode me dar?
  • Por medo?
  • Por costume?
  • Ou porque encontrei n’Ele o sentido da minha vida?

Essa resposta não se dá com palavras, mas com atitudes. Quem busca o “alimento que permanece” começa a reorganizar sua vida: valoriza mais o espiritual, aprofunda a oração, vive a caridade, participa da vida da Igreja com consciência e amor.

5. Um chamado à autenticidade

Este Evangelho não condena a busca humana — ele a purifica. Jesus não rejeita a multidão; Ele a educa. Ele quer elevar o coração do homem, libertá-lo de uma fé utilitarista e conduzi-lo a uma relação verdadeira com Deus.

No fundo, trata-se de passar de uma fé interessada para uma fé apaixonada.


Conclusão

Hoje, Jesus continua nos dizendo:
“Não vivas apenas do que passa. Busca aquilo que permanece.”

A multidão atravessou o mar para encontrá-lo. A pergunta é:
até onde estamos dispostos a ir para buscá-lo de verdade?

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