ENQUANTO FAÇO O CAFÉ: Ele chora por mim

traduz suas lágrimas em palavras. Não são palavras de ameaça, mas de um coração dolorido que lança um último chamado à conversão desde o amor. A dor do profeta expressa sua visão antecipada das trágicas consequências que tem para o povo não ter reconhecido o tempo em que foi visitado

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ENQUNTO FAÇO O CAFÉ: Zaqueu viu Jesus!

assamos do encontro com um mendigo ao encontro com um rico.  Em ambos os casos, assistimos a uma catequese sobre o que é uma experiência de salvação. Vejamos primeiro a pessoa de Zaqueu. Há pessoas que, às vezes, classificamos como “difíceis” na evangelização. São “duras” para converter-se. 

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ENQUANTO FAÇO O CAFÉ: Escândalos na comunidade e o perdão.

Ele sabe por que o disse. O termo “escândalo” (do grego “skandalon”) significa “pedra de tropeço”, “obstáculo”. No Evangelho se refere a problemas que surgem na comunidade e que prejudica as pessoas mais fracas na fé e na conduta; estes são “os pequenos”, cuja perseverança, ainda depende de pessoas concretas que as tem atraído para o Senhor.

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ESTUDO BÍBLICO NA 30ª SEMANA DO TEMPO COMUM ANO C 2022

ESTUDO BÍBLICO NA 30 SEMANA COMUM ANO C 2022
Comunidade Paz e Bem
SEGUNDA-FEIRA Lucas 13,10-17
A MISERICORDIA DE JESUS COM AS PESSOAS COM DEFEITOS FÍSICOS PERMANENTES “Havia uma mulher à qual um espírito a mantinha enferma há dezoito anos”

Lucas, o evangelista da misericórdia, segue nos conduzindo pela mão e nos coloca hoje ante a esplendida página da “cura da mulher encurvada”. Que é próprio desta página do evangelho de Lucas?
Há pessoas que estão fortemente em desvantagem, pessoas às quais se dá pouca atenção e que são abandonadas cruelmente a seu destino. Enquanto ensina na sinagoga, em um sábado, Jesus é o único que se fixa naquela senhora à qual todos já estavam habituados a ver com sua deficiência física e é o único que expressa seu interesse por seu bem-estar.

O relato, depois de uma introdução (v.10-11), expõe o milagre (v.12-13) e logo as reações (v.14-17). Vamos deter-nos hoje nas primeiras duas partes.
A deficiência da senhora: (v.11). “Havia uma mulher à qual um espírito a tinha enferma… ” 1
O que a maior parte das pessoas considera normal e que dificilmente chega a agradecer, foi negado a esta mulher: o caminhar erguida. Onde quer que vá, ela leva consigo seu sofrimento. Não pode libertar-se, deve resignar-se. Com estas características, esta mulher representa a multidão de pessoas que tem algum defeito físico permanente.

A uma pessoa com um defeito físico são negadas muitas vantagens que gozam os bons. Experimentam discriminação de diverso tipo: nem sempre podem casar-se, não são acolhidas como membros com pleno direito na comunidade, são vistas como diminuídas.

E a este dano social se agrega o peso psicológico; elas se perguntam: Por que aconteceu comigo? Por que tenho que carregar este mal por toda a vida? E mais, enquanto os demais dão graças a Deus por estar bem, por não ter defeitos físicos, que pode dizer a Deus esta pessoa ao lado de outros na Igreja?

A misericórdia de Jesus: vv.12-13ª “Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse…”

Seguindo o fio do texto vejamos o comportamento de Jesus: 1) Jesus a “vê” (v.12a); 2) Jesus “atua” espontaneamente, não se faz rogar, entra em contacto chamando-a (v.12b); e 3) Jesus a “liberta” (v.12c) de sua enfermidade. O faz com a Palavra e com a imposição das mãos.

Jesus age não somente com a palavra (“estava ensinando na sinagoga”, v.10), mas também com a ação. E suas ações são libertadoras, não somente naquelas grandes situações, na qual todos estão de acordo que as coisas não andam bem, mas, também, nos pequenos detalhes, dos quais a maioria não se previne, mas unicamente quem o sofre.

À mulher encurvada, que levava 18 anos nessa posição mais baixa que os demais, que devia olhar sempre de baixo para cima e de relance, a ela Jesus cura inserindo-a completamente na vida normal.

O louvor festivo da mulher: v.13b “E no mesmo instante se endireitou, e glorificava a Deus”

Erguida, a senhora começa a louvar a Deus. Com uma festiva ação de graças e glorificação, ela proclama que nela agiu a mão de Deus. Que maneira tão bela de acolher a cura! O sábado era um dia de louvor pelas ações libertadoras de Deus com seu povo, e para isto se reuniam na sinagoga.

A mulher curada agora pode participar completamente no culto sinagogal e com motivos próprios: foi libertada de sua escravidão (“um espírito a tinha submetido”, v.11). Há uma frase de santo Agostinho que diz que uma pessoa “reta” é somente aquela que dirige o olhar para Deus e se orienta segundo sua vontade.

Quem se orienta para o próprio egoísmo, está fechado sobre si mesmo e é uma pessoa encurvada. Provavelmente esta mulher já devia ser “reta” na presença de Deus, porém, por meio da ajuda que recebeu de Jesus, agora o será mais (sugiro conectar com a parábola sobre a mulher nos vv.20-21).

Enfim, estamos diante de um relato que merece ser lido muitas vezes. Jesus fez com prontidão e benevolência o que nenhum outro poderia ter feito por uma mulher duplamente discriminada.

Claro que podemos continuar as atitudes e ação de Jesus, “endireitar” os que estão curvados e tira-los de seu sofrimento, se permitimos que eles encontrem em nós uma benevolência sincera e cordial como a de Jesus e se lhes abrimos todos os espaços para inseri-los do melhor modo possível na vida comum.

Para cultivar a semente da Palavra de Deus na vida:

1) Que passos dá Jesus na cura da mulher encurvada? 2) Como aparece o problema do “mal” neste relato?
3) Que nos sugere esta passagem para nosso exercício cotidiano da misericórdia?

TERÇA-FEIRA Lucas 13,18-21
AS FALSAS CONCEPÇÕES DO REINO DE DEUS “A que é semelhante o Reino de Deus?”

O evangelho de ontem terminou com esta frase: “E quando (Jesus) dizia estas coisas, seus adversários ficavam confundidos” (13,17). Por que ficavam confundidos? Porque o que Jesus diz e faz não encaixa em sua idéia de Reino de Deus.

No mundo de Israel, no tempo de Jesus, um dos obstáculos para a conversão é a falsa concepção do Reino de Deus. Quem não queria crer em Jesus se escandalizava de sua mensagem e de suas obras – segundo eles – pouco grandiosas.
Eles esperam um Rei messiânico que viesse com todo o aparato de uma potencia política, com um sistema e um programa de governo similar ao dos que já se conhecem. Para revelar seu modo de entender o Reino e, assim, seu messianismo, Jesus conta duas parábolas: a do grão de mostarda (13,18-19); e a do fermento (13,20-21).

A primeira mostra a maneira de atuar de um varão (um agricultor) e a segunda a de uma mulher (uma dona de casa); poderia pensar que se está tratando de apresentar dois pontos de vista sobre o Reino de Deus: o do varão e o da mulher. 2
Ambas apontam para um mesmo significado: a um começo que parece bastante modesto se lhe contrapõe uma conclusão grandiosa. O Reino de Deus segue a dinâmica deste contraste (similar a da parábola do semeador: 8,4-11).

A simbologia da parábola também nos permite ver um duplo movimento: há um crescimento externo (como o da semente de mostarda) e há um crescimento interno (como o do fermento). O Reino de Deus se move nestas duas direções que caracterizam a evangelização da Igreja. Com este ensinamento Jesus quer dissipar os equívocos de seus adversários que criticam sua maneira de agir porque não corresponde á idéia que tem de Reino de Deus.
Em conclusão: aos começos humildes do anuncio de Jesus lhe segue o Reino de Deus, o qual age no escondido, porém cresce de maneira incontrolável, até seu cumprimento definitivo no tempo final.

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

A reflexão de hoje foi breve como o grão de mostarda, mas esperamos tenha efeito como o fermento. 1) Que idéia de Reino de Deus tem em mente os adversários de Jesus?
2) É interessante notar que as duas parábolas apresentam a um homem e a uma mulher, mas também que pertencem no mundo da agricultura e do lar: Por que os humildes aparecem representando seu compromisso com o Reino? Por que os mais entendidos, os adversários, não conseguem entender?
3) Que idéia de Reino tenho? Que implica o ensinamento de Jesus para minha compreensão da vida da Igreja e da missão no mundo de hoje?
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QUARTA-FEIRA Lucas 13,22-30
O QUE SE EXIGE PARA ENTRAR NO REINO “Senhor, são poucos os que se salvam?”

Jesus segue a viaje de subida para Jerusalém sem por isso deter a missão: “Atravessava cidades e povos ensinando, enquanto caminhava para Jerusalém” (13,22). Parte de sua missão não é somente pregar mas também escutar e responder perguntas das pessoas, como efetivamente acontece na passagem de hoje.

Aparece a pergunta de uma pessoa, anônima, que com sua pergunta deixa ver que conhece tanto o texto do 4º livro de Esdras 8,1-3 (escrito na segunda metade do S.I dC) que disse: “Somente poucas pessoas serão salvas”, como também o pensamento dos escribas: “Israel inteiro terá parte no mundo futuro”, somente alguns pecadores particularmente culpáveis serão excluídos (pensamento recolhido na Mishná, Sanhedrín 10,1).

A contradição das duas correntes de pensamentos parece estar atrás da pergunta traçada agora: “Senhor, são poucos os que se salvam?” (13,23).

À pergunta Jesus responde com uma exortação. A um planteamiento de tipo quantitativo (o “poucos” implica quantidade) Jesus responde com outro de tipo qualitativo (“quem” o logram): “Lutai por entrar pela porta estreita…” (13,24).

Da resposta de Jesus aprendemos que: (a) È urgente fazer tudo o que possamos para ser admitidos no Reino, antes que seja tarde demais; (b) A conversão verdadeira é a condição indispensável para que sejamos admitidos, nada poderá remplazar esta condição.
No evangelho de Lucas a “porta estreita” não é a entrada a um caminho (como en Mt 7,13-14) mas um acesso direto ao lugar de salvação. Ali se entra com “agonia” (como diz literalmente em grego Lc 13,24), quer dizer, com um esforço moral.
Logo, com uma parábola, Jesus indica o que vai a acontecer quando termine o tempo final, no qual já não haverá “porta estreita”, mas “porta fechada” (13,25-29).
Fora do lugar da salvação ficam todos aqueles que conheceram a missão de Jesus, porém não aceitaram seus ensinamentos. Estes lhe fazem um protesto ao dono da casa para que lhes abra, porém a resposta repetida duas vezes é “Não sei de onde sois” (ou “não sei de que parte estão”).

Não importa que tenham sido missionários o que tenham realizado curas, estes ficarão fora porque ao não tomar em serio a Palavra de Jesus, tampouco puseram em prática a vontade de Deus que era a de conformar sua vida com a de Jesus. Más bem, pelo contrário, se converteram em “agentes de injustiça” (=obreiros de iniquidade).

Os que caminharam como discípulos e evangelizadores, porém não classificaram para meta, se veem todavia mais humilhados quando são testemunhos do que sucede dentro (13,28-29): na comunhão definitiva com Deus (“mesa do Reino”) se encontram todos seus predecessores israelitas e também os pagãos (os que veem dos quatro pontos cardiais), enquanto que eles, os que tiveram a melhor chance com Jesus, ficam fora.

A moral da parábola resoa também como um último chamado: “Há últimos que serão primeiros, e há primeiros que serão últimos” (13,30).

Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

1) Segue-se repetindo com outros termos a pergunta inicial do evangelho de hoje? Que movimentos promovem a ideia de que só há unos poucos eleitos para a salvação?
2) Que implicam as imagens simbólicas da “porta estreita” e a “porta aberta”?
3) Que se exige de maneira especial às pessoas que se comprometeram com Jesus? Coroa-se a meta pelo simples fato de haver trabalhado por Jesus? Que mais se requer?
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QUINTA-FEIRA LUCAS 13,31-35 O PROFETA AMEAÇADO
«Sai e vai daqui, porque Herodes quer matar-te.»
Os fariseus, que sentem, ameaçada, sua reputação, pela presença de Jesus, aproveitam a hostilidade de Herodes com relação a Jesus, para fazer uma proposta: “sai e vai-te” (13,31).

Tanto as autoridades civis como os homens piedosos querem desfazer-se do profeta que tem trazido a eles muitos incômodos.

A resposta de Jesus vai mostrando devagar sua atitude frente a rejeição da Galiléia política e religiosa.
Vejamos:

•Jesus chama Herodes de: “raposa” (13,32)
No mundo semítico a “raposa” não é imagem de um animal “astuto” como em nosso mundo ocidental, mas, ao contrário, de “estúpido”. A denúncia é grave: não há nada mais perigoso que uma autoridade sem critério.

•Jesus tem claro o projeto do Pai (13,23)
E acima desse projeto não há nenhuma autoridade humana, nenhuma, que determine o que deve ou o que não deve Ele fazer.

•Jesus anuncia que Sua morte será de um profeta (ver 13,33).

Efetivamente, será arrebatado, porém, no lugar preciso: Jerusalém. Sua morte será de um profeta. Também isto o determina o Pai;

•Jesus entoa um canto de lamentação (ver 13,34).
A misericórdia de Jesus, aqui comparada com a ternura de uma galinha protegendo seus ternos pintinhos contrasta com a atitude agressiva de seus futuros assassinos. Enquanto uns dispersam e tiram a vida, Jesus reúne e dá vida;

•Jesus lança um juízo profético (13,35).
A partir de sua morte haverá uma mudança substancial na história da salvação: a presença de Deus abandonará o templo e este só poderá se encontrado na pessoa de Jesus a quem, na páscoa, o povo que o rejeitou será chamado para confessá-lo como o Messias (ver Atos).

Portanto, o profeta é ameaçado, mas sua vida não depende das circunstâncias humanas. O caminho de Jesus é o caminho que o Pai tem para ele, e esta consciência determina todas as suas atitudes ante o caminho percorrido e o que está por percorrer, ante o que o acolhe, ante o que o rejeita, ante à política, ante à religião.

Para cultivar a semente da Palavra na vida:

1) Que deve caracterizara a um profeta?
2) Por que Jesus chama ao rei Herodes “raposa”? Que crítica se está fazendo ao mundo da política? 3) Quando há pressões para calar a voz do profeta, qual deve ser a atitude cristã frente a isso?
SEXTA-FEIRA Lucas 6,12-19 ESCOLHA DOS DOZE
“Foi ao monte para orar e passou a noite na oração de Deus”
Na serie de passagens compreendidas entre Lucas 5,1 e 6,11, temos visto como Jesus vem formando, progressivamente, uma comunidade em torno dEle. Temos visto, também, qual é a experiência de fundo que caracteriza esta nova comunidade e em que se baseia esta. O evangelho de Lucas começa agora, em 6,12, com uma nova seção, onde vemos como, a partir de um grupo eleito de doze, o Mestre conduz um itinerário particular de formação que tem duas finalidades: a aprendizagem da “palavra” de Jesus e a aprendizagem da “missão” de Jesus.

Esta seção concluirá no capítulo 9, quando, os doze, vão, em missão, e, ao regressar, recebem a lição sobre a Cruz. Esta se percebe a partir desta passagem, quando os discípulos começam a ser chamados também “apóstolos” (6,13). Notemos como em toda esta seção do evangelho os discípulos aparecem em segundo plano na missão de Jesus. São mencionados somente em momentos chave, porque o centro é Jesus, que, com suas palavras e obras de poder, revela o núcleo do evangelho. Por enquanto, a tarefa dos discípulos é “ouvir” e “ver”. O primeiro passo que Jesus dá é a diferenciação do grupo dos doze da multidão e do resto dos discípulos. Prestemos muita atenção a algumas particularidades do comportamento de Jesus nesta cena vocacional: 4
1. Jesus começa com uma vigília de oração: (6,12)
“Foi ao monte para orar e passou a noite na oração de Deus”

Este passar a noite inteira em oração é significativo e devia atrair-nos para uma amorosa contemplação deste momento. Todo o ministério de Jesus, até seu último instante na Cruz, tem como constante a oração. Isto se ver nos momentos decisivos de seu ministério e a eleição dos doze é um deles. Sabemos que o tema da oração é importante no evangelho de Lucas e que Jesus é o modelo do orante (ver 3,21; 5,16; 9,18.28.29; 10,21;11,1;2 2,29-46; 23,34.46). Na oração de Jesus neste texto fica claro que:
(a) Deus Pai está na raiz de toda experiência vocacional: Ele está ali presente, com a mão na obra, guiando a historia da salvação, na qual se insere todo chamado particular;
(b) Jesus invoca a benção de Deus sobre o ato que está a ponto de realizar.
(c) A oração é um dos pontos mais importantes do discipulado; é o ponto de partida do itinerário dos doze, ao longo de sua vida, estes terão que voltar uma e outra vez a este primeiro momento.

2. Jesus distingue os „doze‟ do amplo grupo de discípulos (6,13)

…“a quem chamou também apóstolos”.

Aos doze também os chamou “Apóstolos” (que significa “enviados”). Cristo escolheu os doze apóstolos para resgatar o sentido das doze tribos de Israel que Deus deveria reunir no fim dos tempos, conforme o que está dito nas Escrituras. De fato, o número evoca a comunidade da primeira Aliança: as doze tribos de Israel. Estas, que, no momento do ministério de Jesus, já, praticamente, não existem como tais (só restavam duas tribos e meia); dai que o formar uma comunidade, precisamente com este número, é uma provocação profética de Jesus, uma forma concreta de chamar a todo o povo de Deus.

Desde o Antigo Testamento se vê como Deus tinha em seu projeto a formação de um povo que fosse modelo e convocasse a todos da terra ao serviço do único Deus. O chamado dos „doze‟ nos coloca ante um aspecto fundamental do ministério de Jesus: a Aliança e a vocação fundamental do povo de Deus. Estão se realizando as antigas profecias (ver Ez 39,23-39). Por outra parte, o título “Apóstolo” se refere explicitamente à futura missão que aguarda os escolhidos: eles continuarão a obra de Jesus no mundo. Segundo uma antiga disposição jurídica de Israel, “o enviado é como o que envia”. Os doze, então, serão os representantes de Jesus.

3. Jesus escolhe seus apóstolos entre aqueles que já o haviam ouvido e visto em ação

Em passagem anterior, Lucas havia anotado que uma grande multidão “afluía para ouvir e ser curados” (5,15). Com esses mesmos termos se descreve a “grande multidão de discípulos seus… que haviam vindo para ouvir-lhe e ser curados” junto com a multidão (6,17-18).
Do meio deles foram tomados os doze. É belo o encontro de Jesus e os doze apóstolos com a imensa multidão que os aguarda na planície, uma vez que descem da montanha da oração. Quando os doze apóstolos descem com Jesus da montanha, o primeiro que encontram é o duro cenário de uma humanidade ferida e necessitada. Porém chama a atenção que toda esta multidão de pessoas vindas inclusive das regiões pagãs da costa marítima (Tiro e Sidônia; 6,17b), se sentem atraídas, fascinadas pelo Mestre de Nazaré, por Ele, que andava em sua missão “pela força do Espírito” (4,14).

Ao observar Jesus e vendo que “dele saía uma força que curava a todos” (6,19), os doze começam a compreender o sentido de sua vocação e para o quê o Mestre os quer capacitar. Por isso eles devem abrir-se aos dons do Mestre e, como se verá, deverão ser os primeiros ouvintes do discurso que segue.
Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

1) Por que o fato de que Jesus escolha “doce” discípulos é uma provocação profética?
2) Quando devo tomar uma decisão importante, faço como Jesus dedicando tempo á oração ou simplesmente me contento com minhas razões e com aquilo que algum amigo me possa sugerir? Por que Jesus orava antes de decidir algo?
3) Sinto que meu grupo, família, comunidade é eleito e com uma missão específica a cumprir? Qual é essa missão? Alguma vez temos dialogado juntos? Não seria o momento de fazer?
SÁBADO
Lucas 14, 1.7-11:
A ETIQUETA NA DISTRIBUIÇÃO DOS POSTOS NA MESA, SEGUNDO JESUS. “Notando como os convidados escolhem os primeiros lugares…”

Vejamos as três partes do relato: (1) uma observação; (2) uma parábola; (3) a aplicação.

1. Uma observação: “Notando como os convidados escolhem os primeiros lugares” (14,7a)

Que há por trás deste comportamento? Uma das necessidades humanas é a estima. Isto se percebe na aspiração ao reconhecimento. O problema, quando se busca competência: ser superiores aos demais, ter posições mais altas, estar mais adiante.
Este último é o que Jesus vê nos comensais daquela mesa: querem os postos mais visíveis (á cabeceira da mesa ou no centro), os que indicam superioridade. Isto que acontece nas refeições formais também acontece na convivência humana e em todos os meios sociais. Não é fácil reconhecer nas outras pessoas nossos mesmos direitos e mesmos valores.

Nesta feira das vaidades, aparece o desejo da afirmação pessoal mediante a comparação: o nosso é superior, ou melhor, que o dos outros. Desta comparação provém um critério errado de valorização. 5 2. Uma parábola: “Quando sejas convidado…” (14,8)

Em uma parábola, Jesus propõe uma regra de comportamento diferente para os comensais: “Quando sejas convidado a uma festa de casamento, não te ponhas no primeiro lugar… não seja que… e então vás a ocupar envergonhado o último lugar” (14,8-10).

Sua frase provém da sabedoria popular: quem busca os primeiros lugares de maneira direta ou muito apressada pode terminar recebendo mais humilhação que honra; não se deve correr riscos.

Sem dúvida, por trás disto pode acontecer que não tenha verdadeira humildade, mas uma estratégia para sair-se com a sua. Ou melhor, desta forma a honra pode ser más evidente ante os demais convidados á hora em que o anfitrião o faça ascender de lugar.

Visto que, o que Jesus quer, não é, simplesmente, recordar uma regra de sabedoria, mas, ir até o fundo das atitudes, é que não se deve perder de vista a idéia principal: deixar ao dono da casa a tarefa da assinalar os lugares. Estes não dependem dos méritos que cremos ter, mas da gratidão do anfitrião.

3. A aplicação: “Todo o que se exalta será humilhado e o que se humilha será…” (14,11)

Da parábola se deduzem os seguintes ensinos e convites:

(a) Por em crise este tipo de comportamento:

Toda busca de honra fracassa diante de Deus; e mais, tem um efeito contrário. Deus não está disposto a admitir as hierarquias de honra que os homens inventam. Tudo o que façamos para dar brilho a nossa honra, prestigio e esplendor, carece de valor na presença de Deus.

Por isso, neste tipo de coisas não vale a pena gastar energias pois pertence ao mundo da vaidade, que no fundo é vazio, uma forma de egoísmo pela exaltação do próprio eu. É Deus, não nossa ambição, que nos dá o valor e a importância que temos.
(b) Pôr-nos sob o olhar de Deus:
Dai que o verdadeiro lugar do homem é o que ocupa ante Deus e não o que pode ganhar por sua própria promoção. O mesmo vale para as relações entre nós. É preciso evitar a autopromoção e mais, atuar na humildade, não cabe a nós, mas aos outros a promoção.

(c) Viver segundo o principio de vida evangélico:

A última palavra sobre o valor das pessoas a tem Deus. Isto já o havia dito Maria no Magnificat: “Derrubou aos poderosos de seus tronos e exaltou os humildes” (1,52). Todas estas atitudes provem do fundo do coração, por isso se retoma como conclusão da parábola da oração do fariseu e o publicano: “Todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (18,14).

A lição se voltará a escutar na última ceia, onde ironicamente os discípulos vão a pelejar pelos postos; Jesus lhes responderá com um chamado ao serviço humilde, do qual Ele é o melhor exemplo: “Quem é maior, o que está à mesa ou o que serve? Não é o que está á mesa? Pois eu estou em meio de vós como o que serve” (22,27).
Cultivemos a semente da Palavra no profundo do coração

1) Que formas – discretas ou públicas – tem hoje a aspiração a honra e o prestigio? Que podemos dizer a respeito? Que nova cultura das relações propõe Jesus?
2) Em que se baseia? Para onde aponta?
3) Os fariseus baseavam sua espiritualidade na lógica da recompensa. Isto é correto? Que é que há que buscar na relação com Deus e com os demais?
Autor: Padre Fidel Oñoro, CJM

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ENQUANTO FAÇO O CAFÉ: “Eu vim lançar fogo sobre a terra”

Jesus fala a seus discípulos de sua própria vocação. Porém, sua experiência pessoal se projeta, imediatamente, sobre seus seguidores, porque o destino do discípulo está, profundamente, unido ao do Mestre (já o havia dito abertamente em Lc 6,40). E mais: o sentido da vida de Jesus determina o sentido da vida de seus discípulos.

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