PALAVRA DE DEUS

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (Estudo Bíblico)

1º de janeiro de 2026 (Lc 2,16-21)

A Solenidade de Maria, Santa Mãe de Deus, que abre o ano civil, coloca-nos desde o primeiro dia sob o sinal da encarnação, da comunhão e da paz. Não começamos o ano com uma ideia abstrata, mas com um rosto: o rosto do Filho de Deus, nascido de Maria, acolhido no seio da humanidade.

O Evangelho de Lucas (2,16-21) nos apresenta Maria no centro do mistério do Natal: ela acolhe os pastores, guarda todas as coisas no coração e dá ao Filho o nome de Jesus, nome que revela sua missão de salvar. Maria não fala muito; ela contempla, escuta e une. Sua maternidade é silenciosa, mas profundamente fecunda.

À luz do belíssimo texto do Beato Isaac de l’Etoile, compreendemos que essa maternidade de Maria não se esgota no passado, nem se limita ao nascimento histórico de Jesus. Cristo é um só, mas não está sozinho: Ele é a Cabeça de um Corpo, e esse Corpo somos nós, a Igreja.

“Cristo é único, formando um todo com a Cabeça e o Corpo.”

Aqui está o coração da fé cristã: não há um Cristo isolado. O Cristo total é Cabeça e membros, Filho único do Pai, mas gerando em si muitos filhos. Por isso, Maria não é apenas a Mãe de Jesus individualmente considerado, mas Mãe de Cristo inteiro.

E é nesse ponto que o texto de Isaac nos conduz a uma profunda contemplação:
Maria e a Igreja são inseparáveis.

“Assim também Maria e a Igreja são uma só Mãe, e mais que uma.”

Maria gerou Cristo segundo a carne; a Igreja gera Cristo nos sacramentos, na fé e na remissão dos pecados. Ambas são mães, porque ambas dão à luz Cristo; ambas são virgens, porque tudo nelas é obra do Espírito Santo, não da iniciativa humana.

Maria dá à luz a Cabeça; a Igreja dá à luz o Corpo.
Nenhuma gera o Cristo total sem a outra.

Isso nos ajuda a compreender o Evangelho de hoje: quando Maria guarda tudo no coração, ela já guarda não apenas os acontecimentos do presépio, mas o mistério da Igreja futura, que nascerá do mesmo Cristo que ela agora envolve em faixas.

Celebrar Maria, Mãe de Deus, no início do ano é reconhecer que:

  • não caminhamos sozinhos, mas como Corpo;
  • não temos uma fé individualista, mas eclesial;
  • não recebemos Cristo sem acolher também a Igreja, nossa Mãe.

Neste dia 1º de janeiro de 2026, Maria nos ensina a começar o ano:

  • acolhendo Cristo, como os pastores;
  • meditando no coração, em vez de agir com pressa;
  • vivendo como filhos, conscientes de que temos uma Mãe no céu (Maria) e uma Mãe na terra (a Igreja).

Que Maria, Santa Mãe de Deus, nos ajude a viver este novo ano unidos à Cabeça, inseridos no Corpo, e gerando Cristo no mundo com a mesma docilidade ao Espírito.
Assim, o ano que começa será verdadeiramente cristão, porque será vivido em comunhão.

texto na íntegra (Beato Isaac de l’Etoile, Sermón 51):

Cristo é único, formando um todo com a Cabeça e o Corpo;

único como Filho de um único Deus nos céus e de uma única

mãe na terra. Muitos filhos e um só Filho.

Pois, assim como a cabeça e os membros são um só Filho e

ao mesmo tempo muitos filhos,

assim também Maria e a Igreja são uma só Mãe, e mais que

uma; uma só Virgem, e mais que uma.

Ambas são mães e ambas são virgens;

ambas concebem virginalmente do próprio Espírito;

ambas dão a luz a Cabeça do corpo;

a Igreja, na remissão de todos os pecados, deu a luz o corpo

da Cabeça. Uma e outra é Mãe de Cristo,

porém, nenhuma delas, sem a outra, deu à luz ao Cristo total.

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