Muito além das palavras (EFC)
Podcast: Play in new window | Download
Subscribe: RSS
Evangelho: Mateus 21,28-32
O Evangelho de hoje nos apresenta uma parábola simples, mas extremamente provocadora: a parábola dos dois filhos. Jesus a dirige às autoridades religiosas de seu tempo, mas, na verdade, ela chega até nós como um espelho no qual somos convidados a nos olhar com sinceridade.
Um pai pede a seus dois filhos que trabalhem na vinha. O primeiro responde “não”, mas depois se arrepende e vai. O segundo responde “sim”, mas não cumpre o que prometeu. Quando Jesus pergunta quem fez a vontade do pai, a resposta é evidente: aquele que agiu, não aquele que apenas falou.
Com isso, Jesus toca no coração da fé: Deus não se contenta com palavras; Ele espera atitudes.
Quantas vezes, irmãos, nós dizemos “sim” a Deus? Dizemos sim quando rezamos, quando participamos das celebrações, quando afirmamos que somos cristãos. Mas será que esse “sim” se traduz em vida concreta? Será que se transforma em gestos de justiça, de perdão, de solidariedade e de amor ao próximo?
Jesus denuncia, com muita firmeza, a hipocrisia religiosa. Não uma hipocrisia distante, mas aquela que pode morar também em nosso coração: exigir dos outros o que nós mesmos não conseguimos viver; conhecer a Lei, mas não praticar o amor; falar de Deus, mas fechar os olhos ao sofrimento do irmão.
Por isso Jesus afirma algo desconcertante: os publicanos e as prostitutas — os marginalizados, os desprezados — precederão muitos no Reino de Deus. Não porque sejam perfeitos, mas porque se abriram à conversão. Erraram, sim. Disseram “não” com a vida. Mas depois se arrependeram e mudaram de caminho.
Aqui está a grande boa notícia do Evangelho: Deus valoriza mais um coração que se converte do que uma aparência de santidade sem compromisso.
O Evangelho de hoje nos ensina que existem duas fidelidades:
- a fidelidade das palavras,
- e a fidelidade das obras.
E Jesus é claro: a que conta é a fidelidade das obras.
A vinha do Senhor continua precisando de trabalhadores. Ela é o mundo ferido pela injustiça, pela fome, pela exclusão, pela violência. Trabalhar na vinha é sair de nós mesmos e colocar o Evangelho em prática no dia a dia: em casa, no trabalho, na comunidade, na sociedade.
Que este Evangelho nos ajude a revisar nossa vida. Talvez já tenhamos dito “não” muitas vezes a Deus. Mas hoje Ele nos oferece uma nova chance. Ainda há tempo de ir à vinha. Ainda há tempo de converter palavras em gestos, promessas em compromisso, fé em vida.
Peçamos ao Senhor a graça de sermos cristãos coerentes, não apenas de nome, mas de atitudes. Que nossa fé não fique apenas nos lábios, mas se manifeste em obras de amor.
Que assim seja. Amém.
- Com qual dos dois filhos mais me identifico hoje?
- Minhas palavras refletem minhas atitudes?
- Em que situações preciso converter um “sim” vazio em ações concretas?
- Como posso viver a justiça e o amor no meu cotidiano?
O Evangelho de Mateus 21,28-32 nos ensina que:
Não basta dizer “Senhor, Senhor”, é preciso fazer a vontade do Pai.
A verdadeira fidelidade se revela na prática do bem, na coerência entre fé e vida. Deus não busca discursos perfeitos, mas corações disponíveis para agir com amor.

