10° Domingo Comum (Estudo Bíblico ano A)
Tema: Jesus chama, acolhe e salva
Evangelho: Mateus 9,9-13
“Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.”
1. Introdução
O Evangelho deste domingo apresenta o chamado de Mateus, um cobrador de impostos, e o ensinamento de Jesus sobre a misericórdia. A cena revela o coração do Evangelho: Deus não exclui ninguém de seu amor. Jesus passa, olha para Mateus, chama-o e transforma sua vida.
Num tempo em que muitas pessoas se sentem indignas, rejeitadas ou distantes de Deus, esta Palavra recorda que o Senhor continua passando por nossos caminhos e dizendo: “Segue-me.”
2. O chamado que transforma
Mateus trabalhava na coletoria de impostos. Era considerado pecador público, alguém desprezado pela sociedade e pela religião oficial da época. No entanto, Jesus não vê apenas o passado de Mateus; vê aquilo que ele pode se tornar.
Quando Jesus o chama, Mateus não apresenta desculpas nem pede garantias. Levanta-se e segue o Mestre.
Aqui encontramos uma grande lição:
- Deus chama pessoas comuns;
- Deus não espera perfeição para chamar;
- Deus chama exatamente onde estamos.
O discípulo nasce quando escuta a voz de Cristo e decide confiar.
Para refletir:
- Tenho ouvido o chamado de Deus em minha vida?
- Quais são as “mesas de impostos” que preciso abandonar para seguir Jesus com mais liberdade?
3. Jesus senta-se à mesa dos pecadores
Depois do chamado, Jesus participa de uma refeição na casa de Mateus. Ali estavam muitos publicanos e pecadores.
Para os judeus, sentar-se à mesa com alguém significava amizade, comunhão e acolhida. Por isso os fariseus ficam escandalizados.
Mas Jesus quer mostrar que o Reino de Deus é uma mesa aberta, onde todos são convidados a experimentar a misericórdia do Pai.
O Senhor não aprova o pecado, mas ama profundamente o pecador. Seu objetivo não é condenar, mas salvar.
Essa atitude de Jesus desafia também a Igreja de hoje:
- Somos comunidade de acolhida?
- Abrimos espaço para quem está afastado?
- Tratamos as pessoas com misericórdia ou com julgamento?
4. “Prefiro a misericórdia ao sacrifício”
Jesus responde aos fariseus citando o profeta Oseias:
“Prefiro a misericórdia ao sacrifício.”
Os fariseus valorizavam o cumprimento rigoroso das normas religiosas, mas tinham dificuldade de amar e acolher.
Jesus ensina que a verdadeira religião não consiste apenas em práticas externas, mas numa vida marcada pela compaixão.
Deus deseja:
- corações misericordiosos;
- gestos concretos de amor;
- acolhida aos que sofrem;
- proximidade com os excluídos.
Uma fé sem misericórdia torna-se fria e estéril.
5. Jesus é o médico das almas
O Senhor declara:
“Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes.”
Todos somos necessitados da graça de Deus. O maior perigo não é reconhecer-se pecador; o maior perigo é acreditar que não precisamos de conversão.
Mateus reconheceu sua necessidade e abriu-se ao encontro com Cristo. Os fariseus, convencidos de sua própria justiça, fecharam-se ao dom de Deus.
A humildade abre as portas da salvação.
6. Atualização para a vida
Este Evangelho nos convida a perguntar:
Como Mateus:
- Estou disposto a deixar algo para seguir Jesus?
- Cristo ocupa o primeiro lugar em minha vida?
Como os fariseus:
- Julgo os outros com facilidade?
- Tenho dificuldade de acolher quem pensa ou vive de forma diferente?
Como discípulo missionário:
- Sou sinal da misericórdia de Deus?
- Minha comunidade é uma casa aberta para todos?
Mensagem central
Jesus continua passando pelos caminhos da nossa vida e dirigindo a cada um o mesmo convite feito a Mateus: “Segue-me.”
Ele não procura pessoas perfeitas, mas corações disponíveis. Não veio para excluir, mas para reunir. Não veio para condenar, mas para salvar.
Quem se deixa encontrar por Cristo experimenta a alegria da conversão e descobre que a misericórdia de Deus é maior do que qualquer pecado.
Frase para guardar
“A misericórdia não é a recompensa dos santos; é o remédio que Deus oferece aos pecadores que desejam recomeçar.”

