ENQUANTO FAÇO O CAFÉ: Deus não quer a enfermidade.

Lucas 4,38-44

Uma jornada missionária cheia de êxitos

Na jornada de Cafarnaum, Lucas nos ensina a contemplar o Mestre em ação, quase passo a passo, ao longo de uma jornada completa. Cada ação, cada movimento de Jesus é uma escola para o discípulo, porque, como se dirá adiante: Todo o discípulo perfeito deverá ser como seu mestre (6,40b).

Como tem feito também o Evangelho de Marcos, Lucas nos apresenta, a seu modo, a “agenda” de Jesus, quer dizer, um dia modelo do Mestre. Isto reflete muito bem o esquema da passagem:

  • Pela manhã está junto com a comunidade de Israel na Sinagoga (4,31-37);
    • Logo passa ao ambiente de intimidade próprio de uma casa de família (4,38-39);
    • Ao final da tarde volta à vida pública, onde se encontra com um grande número de pessoas, todos quantos tinham enfermos de diversas doenças traziam-nos…”, onde enfrenta e cura as diversas formas de sofrimento humano (4,40-41);
    • Na manhã seguinte se afasta de todo o mundo complexo das relações com o povo, para estar sozinho (subtende-se que em oração) (4,42);
    • Finalmente, relança a missão, uma missão que abarca todo o país (4,43-44).

O motivo central de toda esta atividade missionária de Jesus, que passa pelos lugares e momentos chaves mencionados, se resume nestas palavras: “Tenho que anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, porque para isto fui enviado (4,43b).

Em uma só frase: “Tenho que evangelizar!”.

Percorrendo os diversos momentos da jornada evangelizadora de Jesus, podemos ir captando como a entrada nos diversos âmbitos da vida do povo, vai gerando claras e profundas transformações:

  • Na sinagoga: destrói o poder do demônio. “Que Palavra é esta! Manda com autoridade e poder aos  espíritos imundos e saem” (4,36);
    • Na casa de Simão: recupera a pessoa inteira, restituindo-lhe a saúde e colocando-a a serviço dos demais. “Levantando-se, ela se pôs a servir-lhes” (4,39);
    • Na cidade inteira: gesto de imposição de mãos, um a um, todos os enfermos para curá-los. E “Também saem demônios gritando e dizendo: ‘Tu és o Filho de Deus’” 4,41;

Na manhã seguinte, vemos como combina os afãs da missão com a solidão da oração. “Ao amanhecer, saiu e foi a um lugar solitário” (4,42).

A passagem nos descreve o êxito da missão, não só nas ações, que já falam por si, mas, também, em dois momentos específicos em que a multidão reage:

  • O povo conta o acontecido: sua fama se estendeu por todos os lugares da região” (4,37);
    • O povo quer que fique sempre com eles: “o povo o procurava e, chegando até Ele, tratavam… (4,42).

Como emerge o rosto de Jesus evangelizador

  • Jesus é um missionário obediente ao Pai

Realiza a obra da evangelização como um ato de obediência ao Plano de Deus.

Jesus se submete a um “dever” divino (“Tenho que…”, 4,43), toda sua obra se realiza segundo um plano preciso de salvação do Pai. Isto é importante porque, em sua busca da humanização de todos os que sofrem ou estão em desvantagem social, Jesus nunca perde de vista que se trata da obra de Deus e que o Pai é a fonte última de toda sua ação.

Com razão os demônios já gritavam certo: “Tu és o Filho de Deus” (4,41b). Só que não é a eles que corresponde dar o testemunho, por isso os cala e mostra-lhes que têm que ceder totalmente frente a Ele.

  • Jesus é um missionário com uma grande liberdade de coração

Assim como mostrou que tinha um coração livre na hora em que lhe fizeram ameaças e pressões na sinagoga de Nazaré (4,30), mostra também que tem um coração livre ante àquele povo que compreende sua missão e o acolhe; e o faz não se apegando a eles quando “tratavam de reter-lhe” (4,42), dizendo “também a outras cidades tenho que anunciar o evangelho” (4,43ª).

  • Jesus é um missionário incansável, zeloso de sua missão

Como missionário itinerante que é, anda continuamente em busca da ovelha perdida onde quer que esta se encontre e por isso sempre está em movimento.

De maneira programática, nesta passagem se lhe vê percorrendo o país inteiro (4,44; para Lucas “Judéia” não indica só a região que conhecemos com este nome, mas todo o país). Jesus sabe que deve chegar a todos os recantos da geografia humana, por isso, não se instala!

  • Jesus é um missionário da misericórdia

Porém, a passagem não se ocupa somente em mostrar-nos os espaços e as ações externas de Jesus. Também, no texto de hoje, podemos ver traços distintivos do coração misericordioso de Jesus.

Este é um aspecto que o evangelista Lucas ama destacar:

  • Ante o homem submetido pelo demônio, faz o exorcismo com contundência, porém também com sumo cuidado, de maneira que o demônio “saiu dele sem fazer-lhe nenhum dano” (4,35).
    • Ante a mulher enferma (a sogra de Simão), Jesus “se inclinou sobre ela” (4,39). Que gesto tão formoso de aproximação ante quem está prostrado!
    • Ante a afluência de público (a massa), Jesus não perde de vista o indivíduo, mas que se aproxima à realidade de cada um: “Cada um deles… os curava” (4,40).
    • Ante todo o quadro de sofrimento que lhe põem Jesus não sente repugnância, não sente aversão, não toma distância, mas ao contrário, toma contato físico, em uma imensa proximidade à realidade humana: “Ele impunha as mãos sobre cada um deles” (4,40).

Este é o modo como Jesus passou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele(At 10,38).

Repassemos agora esta passagem, olhando-nos no espelho de Jesus. O discípulo é chamado a “ser como seu mestre” (6,40b) a viver fundo a missão e trabalhar por sua eficácia. Mas, para conseguir terá que entrar no caminho formativo que inicia amanhã.

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