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O sentido do JEJUM(EFC)

Evangelho de Mateus 9,14-15 e Livro de Isaías 58,6-9


1. CONTEXTO DO EVANGELHO (Mt 9,14-15)

No tempo de Jesus, o jejum era uma prática religiosa comum e valorizada, especialmente entre os fariseus e os discípulos de João Batista. Jejuava-se como sinal de penitência, conversão e preparação para a vinda de Deus.

Por isso, surge a pergunta:

“Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?”

A resposta de Jesus não rejeita o jejum, mas revela seu verdadeiro sentido. Ele se apresenta como o Noivo, imagem profundamente bíblica, que simboliza a aliança de Deus com seu povo.

Enquanto o Noivo está presente, não é tempo de luto, mas de alegria.
O jejum terá seu lugar, mas não pode ser vazio de sentido nem desconectado da presença viva de Deus.

Jesus nos ensina que:

  • A vida com Ele não começa pela renúncia, mas pela comunhão.
  • A prática religiosa só é autêntica quando nasce do relacionamento com Cristo, e não apenas do cumprimento de regras.

2. O SENTIDO DO JEJUM NA TRADIÇÃO BÍBLICA

Na Bíblia, o jejum tem três dimensões principais:

  1. Penitencial – reconhecimento do pecado e desejo de conversão.
  2. Espiritual – abertura do coração para escutar Deus.
  3. Social – solidariedade com os pobres e compromisso com a justiça.

O problema denunciado pelos profetas não era o jejum em si, mas um jejum reduzido ao ritual, sem impacto na vida e nas relações humanas.


3. O JEJUM QUE AGRADA A DEUS (Is 58,6-9)

O profeta Isaías apresenta um dos textos mais fortes de toda a Escritura sobre o verdadeiro jejum. Deus fala claramente:

“Acaso o jejum que prefiro não é outro?”

E então Ele redefine o jejum:

Quebrar as cadeias injustas
Libertar os oprimidos
Repartir o pão com o faminto
Acolher os pobres e peregrinos
Vestir os que estão nus

Aqui, o jejum deixa de ser apenas abstinência de alimentos e se torna:

  • Abstinência de injustiça
  • Renúncia à indiferença
  • Conversão do coração endurecido

Jejuar, para Deus, é transformar a realidade do outro, não apenas o próprio corpo.


4. PROMESSA DE DEUS AO JEJUM AUTÊNTICO

Isaías revela que esse jejum gera frutos concretos:

“Brilhará tua luz como a aurora” – vida que se torna testemunho
“Tua saúde se restabelecerá” – restauração integral
“À tua frente caminhará tua justiça” – retidão de vida
“A glória do Senhor te seguirá” – presença permanente de Deus

E a promessa mais bela:

“Então invocarás o Senhor, e Ele dirá: Eis-me aqui!”

O jejum verdadeiro abre um canal direto entre o coração humano e o coração de Deus.


5. UNIDADE ENTRE EVANGELHO E ISAÍAS

  • Em Mateus, Jesus nos mostra que a fé nasce da alegria da presença do Noivo.
  • Em Isaías, Deus nos ensina que essa presença se prolonga na justiça, na misericórdia e no amor concreto.

📌 Conclusão:
O jejum que agrada a Deus não é tristeza sem amor, nem sacrifício sem misericórdia.
É deixar Cristo transformar nosso coração para que nossa fé se traduza em gestos concretos de compaixão, justiça e cuidado com os irmãos.


6. PARA REFLEXÃO

  • Meu jejum me aproxima mais de Cristo ou apenas cumpre uma obrigação?
  • De que formas posso “jejuar” da indiferença, do egoísmo e da injustiça?
  • Quem é o faminto, o nu ou o oprimido que Deus coloca hoje no meu caminho?

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